segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"Agora é "ocirílo" de trás pra frente", Lucas Lins fala sobre o lirico Amiri e sua musica "Apollo/Rude Bwoy"

Apollo/Rude Bwoy foi um dos maiores (se não maior) single de Rap Nacional de 2016, em seu melhor estilo de rimas afiadas a faixa marca a volta de Amiri à cena, rapper que ganhou reconhecimento através das batalhas de freestyle em SP, e carrega no currículo duas mixtapes (Êta Porra! e Antes, Depois) e dois EP's (Trinca e Capitulo 4- A Caminho da Origem).


Amiri é um rapper engajado em questões raciais, geralmente o tema do racismo aparece em sua música, como em Um Mic - Nas One Mic Remix

Digamos que eu nunca mais volte a ser o “fi da irmã Zéza”

E que nunca fosse aloprado pro ser preto igual o Popó

E que a próxima parada fosse topada, e não topo

Ou porque isso zoa minha mente desde moleque?

E se eu investisse em mil gols invés de mil raps?

O que aconteceu em Apollo/Rude Bwoy, foi extraordinário, dentre as diversas punchlines do som, ressalto esse verso, que Amiri coloca em cheque autoafirmação e o preconceito racial:

O mundo gira, mas eu vou contrariar o teu carrossel

Então agora é "ocirílo" de trás pra frente

E eu me achava doente mental

Moleque de black todo sentimental

Hoje o power que trago nesse pente é letal

Pra MC de enfeite que se sente legal

É comum os negros serem comparados a outros negros de forma pejorativa. Círilo em Rude Bwoy e Popó em Um Mic são exemplos disso. Ao invés de encarar o negro que está na mídia, como uma forma de representatividade à exemplo de Popó, isso é levado por um outro lado, preconceituoso, ou seja, de forma racista o negro "comum" passa a ser chamado de Popó, (como se não tivesse um nome próprio) no caso do Círilo isso soa muito mais grave, devido ao racismo que envolve o personagem.

Amiri usa do seu talento lírico, para reverter esse cenário, e o moleque que se achava fora dos padrões,afetado psicologicamente e abalado pelo racismo.Se autoafirma, com seu talento, e usando da metáfora nos convida a ler "ocírilo" de trás pra frente, portanto se o racista ver além das aparências, ele ficará surpreso com o nosso dom.

São versos como esse, que me faz amar o Rap Nacional, que nos faz voltar várias vezes e entender o sentido da letra. Não é um Rap superficial, mas, sim profundo, que nos faz mergulhar nas referências.

O LÍRICO

Ouça: Apollo/Rude Bwoy




Sobre o escritor:
Lucas Lins é um jovem poeta e amante do rap e morador da zona leste de São Paulo
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