segunda-feira, 24 de julho de 2017

O corre inspirador da DMNA abre alas para o quadro #asminapá

Inspirada pelo corre independente da produtora DMNA, decidimos criar a seção "as mina pá" para divulgar os trampos além dos mics. Fica o convite, a todas as minas independentes que querem divulgar o trabalho, o #asminapá está no ar.


Desde que me conheço como gente, eu nunca tive jeito com nenhum dos elementos conhecidos do Hip Hop, e por muito tempo não me via parte do movimento sem ser apenas como fã. Isso obviamente, sempre me incomodou, porque quem conhece a cena do interior de São Paulo sabe como é muito difícil qualquer movimentação independente. Me sentia na obrigação de fazer algo, e acabei começando a me envolver nos corres com eventos, juntar a galera e tudo mais. Tenho contribuído com o blog, e foi aqui que descobri meu papel no movimento. Dito isso, vamos ao que interessa, como eu disse, tenho tentado fazer o que posso pelo corre independente na minha região, e agora através do blog isso se expande. Me inspiro muito em meus amigos, entre eles a Sara Donato, e através dela conheci a DMNA. A produtora me inspirou a criar esse quadro no NP, pra divulgar e enaltecer o corre das minas independentes, pra dar o ponta pé no quadro, entrevistei as minas da produtora. Confiram!!!

1) O que é a DMNA? E em qual contexto foi criado?
Apesar de afirmarmos que a DMNA é uma produtora composta somente por mulheres, sabemos que ela é uma ideia. Vai muito além de produtora e selo. Decidimos Mover Nossas Asas e nos juntar para facilitar a vida das nossas artistas independentes criando conteúdo de qualidade seja na música, na fotografia, nos videoclipes... para que mulheres tenham cada vez mais segurança para trabalhar no RAP e na Poesia.

2) Quais são os segmentos presentes? (produtoras, beatmakers, mcs...)
Temos muitas mulheres envolvidas. Na área de audiovisual temos produtoras, videomakers, editoras, designers, motiondesigners e fotógrafas. Toda artista da DMNA possui algum talento, seja como MC, poetisa, produtora, assessora, articuladora etc. Tudo para fazer com que todas tenham acesso a um material de qualidade, produzido apenas por mulheres.

[ver]citando é o caminho para a poesia marginal, produzido e idealizado pela DMNA - Jade Quebra e a poesia "Macho desconstruído"

3) Qual é o estilo musical que a DMNA apresenta?
A ideia é fortalecer as mulheres no RAP e na poesia. Mas queremos expandir, sim, para outras áreas, como no funk, e esperamos que isso aconteça em breve.

Show do Rap Plus Size e convidadas no Itaú Cultural - Foto Adriana Yamamoto

4) Quais são as maiores dificuldades que vocês enxergam no corre de vocês que muitos homens não encontram?
Acreditamos que muitas mulheres não têm acesso a equipamentos de ponta e isso se dificulta ainda mais quando há um recorte racial e de classe. Nós começamos com os equipamentos que cada uma já tinha e sem recursos financeiros, fica bem complicado também. O acesso a cursos e a academia ainda é precário para a periferia; mesmo que algumas mulheres consigam, temos que comprar os equipamentos que não são nada baratos. Ainda que tenhamos tudo o que é preciso, cedo ou tarde vai chegar um homem para duvidar da nossa capacidade e sempre achar que nosso trabalho não está bom o suficiente – porque é um trabalho feito por mulheres.

5) E quais as conquistas vocês tem conseguido ?
Temos conseguido nos organizar e tocar nossas atividades de maneira totalmente independente e autogestiva mostrando que, através de uma horizontalidade por núcleos de ação (ao invés de departamentos), temos maior autonomia para agir e fazer acontecer. Além disso, estamos mostrando para muitas mulheres que elas também podem criar algo novo, se desprender dos padrões da indústria, do mercado e do sistema, para movimentar o capital entre nós mesmas e não depender mais de homem nenhum.

6) As minas que compõe já conseguem viver apenas da arte ou precisam de uma segunda profissão pra se manter $ ?
É um começo. Algumas minas ainda têm outros empregos formais, mas outras se dedicam apenas a sua carreira musical e à DMNA. Estamos trabalhando muito para captar recursos e tornar a produtora cada vez mais independente e autossustentável.

7) Nesse momento quais são os principais desejos profissionais da DMNA?
Queremos muito que nossas artistas tenham mais visibilidade, então estamos nos preparando profissionalmente para adquirir recursos e conhecimento, para que em breve possamos produzir e lançar material exclusivo de qualidade de todas as nossas artistas e mostrar para o mundo nossos talentos.

Clipe da música "Cadê o Ministro" - de Gabi Nyarai, inteiramente produzido pela DMNA, o clipe tem a característica cinematografica de "one take" e tras bastante movimento do começo ao final.

8) O que vocês acham desta "guerra" entre música mainstream vs underground? A cena de vocês é mainstream ou underground?
Pensamos que é necessário estar entre o mainstream, que é o mainstream que nos torna autossustentáveis, mas também pensamos que nossos valores não podem ser corrompidos. Queremos chegar lá sem deixarmos de ser DMNA; queremos a melhor qualidade do mainstream sem perder a essência do underground. Queremos ser cada vez mais inclusivas, fortalecendo artistas do underground que possam passar sua mensagem e ainda assim, viver da sua arte.

9) Como vocês sabem a cena do Rap mundial é extremamente machista, mesmo com alguns avanços e a emersão de artistas responsáveis, ainda tem muito a se conquistar. Como vocês acham que o corre de vocês ajuda a combater todo esse mal de preconceitos, violências e etc.
Mostramos para todo o mundo que mulheres fazem rap, poesia; que tiram foto, filmam, editam e representam em vários níveis, garantindo a própria independência através da arte e da cultura Hip Hop. Além de criarmos espaços acolhedores, como a Batalha Dominação – que toda segunda feira mostra que mulheres fazem freestyle disseminando conteúdo e informação entre si na base de muito amor e resistência –, é uma das formas que encontramos para empoderar mulheres e nos fortalecer diante da cena e da sociedade machista.

Batalha Dominação - Foto: Yara Alves

10) E quando alguém da cena se mostra machista, racista, homofóbico, como cobrar?
Existem várias formas de cobrar alguém que tem essa postura. Acreditamos que denunciar é sempre a melhor, garantindo a segurança das vítimas e dando todo apoio que a mesma precisar.


Clipe da música "Deixa as garota brink" - de Rap Plus Size

11) Deixem uma mensagem as minas e manos do Noticiário Periférico.
Acreditem no potencial de vocês e jamais deixem alguém ou algo te dizer que você não pode ou que não dá. Acreditar no sonho é engrenagem essencial para se fortalecer e ir em busca de evolução.

Mulheres, juntas somos mais fortes! 
E homens, escutem as mulheres!
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