quarta-feira, 19 de julho de 2017

Tyler, the Creator surpreende mais uma vez e “brinca” com a possibilidade de ser gay em novo álbum




TEXTO DE: Gustavo Marques
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Quem conhece e acompanha o trabalho de Tyler, the Creator desde o início sabe que ele surgiu como um rapper, produtor e diretor de vídeos que foi considerado extremamente homofóbico e misógino(tudo bem que mais pela crítica do que os fãs).
Todavia, em seu novo álbum “Scum Fuck Flower Boy” que será lançado dia 21 de julho, ele sugere em uma série de letras de que na verdade ele é gay, como em “I Ain’t Got Time” com frases do tipo “I’ve kissing white boys since 2004” e a música “Garden Shed” onde ele narra a experiência de autodescoberta como homossexual.
Considerando o espirito troll de Tyler, the Creator e sua grande habilidade para o marketing, existe a possibilidade de tudo isso ser uma provocação ao status quo e ao próprio meio do rap e do hip-hop, tradicionalmente conhecido pela postura máscula e sisuda.
Por isso, para entender a complexidade da produção artística de Tyler vamos ter que voltar um pouco tempo e fazer um trajeto de como chegou até aqui. Confira!

1.  Da suposta homofobia à suposta homossexualidade

Primeiro, é necessário entender a relação dual entre raça e sexualidade no trabalho de Tyler, the Creator. Tyler sempre declarou sua preferência por mulheres brancas e olhar atento a grande porção de fãs brancos que frequentam seus shows ao redor mundo. Sempre em tom provocativo e de sarcasmo, como em “Golden“, por exemplo.
Quem quiser entender esse ponto mais a fundo, sugiro ler meu artigo sobre a produção de Tyler em relação ao intelectual Frantz Fanon que discutiu a fundo essa relação entre raça e sexualidade, além de vários outros pontos em seu livro Pele Negra, Máscaras Brancas (1952).
Na época de seu segundo disco Goblin (2011), diversas matérias jornalísticas chamaram a atenção para o uso excessivo da palavra faggot (viado) que aparece “213 vezes” no disco. Naquela época, Tyler dizia que achava engraçado as pessoas se incomodarem com expressões como essa e também “nigga”, que para ele são apenas palavras tomadas como ofensivas de acordo com o contexto.
A mesma justificativa foram dadas para suas letras de fantasia de estupro presentes em seus dois primeiros discos. Segundo ele, eram “apenas arte” baseadas na “mente de um serial killer branco de meia idade“. Outro argumento era de que enquanto uma guerra acontecia nas ruas dos grandes urbanos estadunidenses as pessoas estavam preocupadas com letras fictícias. Em outro post meu tem a postagem dos vídeos onde ele explica isso.
Eu, particularmente, só consigo escutar as músicas dessa fase de Tyler talvez pelo inglês não ser minha língua nativa e eu realmente ser um grande admirador de sua produção musical.
O mais importante é que ele superou toda essa negatividade desde o disco Wolf (2013), quando atingiu estabilidade financeira e começou a apoiar a causa gay e parar com as letras misóginas. Agora dizem que estaria prestes a se assumir como gay.
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2. Por que importa se Tyler, the Creator é de fato gay?

Quando começaram a correr os rumores de que Tyler, the Creator estava “saindo do armário” em seu novo disco confesso que fiquei perplexo. Mesmo considerando que desde o seu terceiro disco Wolf(2013) ele passou a assumir uma postura mais positiva e menos controversa apoiando a causa do orgulho gay e “relativizando” suas letras passadas de misoginia.
Porém, depois de alguns dias comecei a digerir melhor essa notícias e pensar nas próprias que tenho feito sobre o trabalho de Tyler em minha pesquisa de doutorado, na qual abordo o trabalho de Tyler em relação à cultura de internet e a cultura urbana, sobretudo o skateboard.
Quando falamos em culturas contemporâneas não podemos esquecer do marketing intrínseco a elas e aí me lembrei que tudo isso pode ser uma baita trollagem de Tyler, the Creator com a crítica, os fãs e o próprio hip-hop, o qual ele sempre gostou de desafiar os limites.
Por isso, pouco importa se ele de fato é gay ou não, mas sim a provocação e a reflexão gerada pela atitude de “brincar” com essa possibilidade. No final, ele revelou o quanto podemos ser homofóbicos e atrasados em fazer disso um fato tão importante.

3. Scum Fuck Flower Boy é um discaço

Bom, agora que estamos resolvidos sobre a irrelevância do fato e mais interessados nas reflexões que pode gerar, vou comentar um pouco sobre o que ouvi até agora do novo disco de Tyler de acordo com o que ele já liberou no canal do YouTube.
De todas as faixas disponíveis, incluindo o videoclipe de “Who Dat Boy”, posso dizer com naturalidade e sem querer retornar à questão de sua suposta homossexualidade de que “I Ain’t Got Time”, justamente a música que gerou os rumores, me pareceu a melhor de todas até agora 🙂
Por isso tudo, mais uma vez, fica claro para mim que o que ele realmente quer é que a gente reflita e abandone de lado preconceitos assumidos ou não e caminhe para frente com essa história toda.
E aí, você ouviu o disco e as notícias que saíram? Qual sua opinião sobre o assunto? Comente aqui para gente poder trocar uma idéia
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