terça-feira, 22 de agosto de 2017

Mano Brown numa fase paz e amor diz que: "deixou o confronto de lado e abraçou as regras locais"


Mano Brown, 47 anos contrariando as estatísticas. Hoje mais maduro, tranquilo e estratégico como ele mesmo diz.
Em entrevista a VIP o rapper do capão redondo disse que "deixou o confronto de lado e abraçou as regras locais".
Brown diz estar mais estratégico e menos explosivo, e que não quer bater de frente com o sistema, mas, sim jogar o jogo e por meio disso empoderar o seu povo, intelectualmente e financeiramente.

A impressão que eu tenho como fã do Racionais é que o Brown cansou de ser cobrado como um "messias". 
Por muito tempo os fãs do Racionais viam o Brown como o cara que fosse libertar a favela do sofrimento, ingenuidade nossa claro.

Trecho da entrevista
Lembro que quando fui no Roda Viva, muita gente veio me dizer que eu não falei nada. “Pô, fiquei até de madrugada esperando e você não falou nada.” Esperavam o quê, que eu fosse radical, explosivo? Mas não. Ali quiseram fazer uma caricatura de mim.

O Brown também deixa bem claro que respeita quem não gosta desta fase atual do Racionais, e diz gostar mais de agora pois no passado o clima no racionais era pesado.

A banda chegou a parar logo depois de Sobrevivendo no Inferno… Não voltaria atrás em nada. Naquela fase eu não vivia só os Racionais, Racionais era só uma parte. Eu vi muita gente morrer, vi muita coisa acontecer, eu não quero viver aquilo de novo. Eu gosto do avanço que teve. Não desprezo aquilo, tem valor. Mas existia um universo, a gente tava dentro… e esse universo não era bom. Não quero mais. Como se pode querer aquilo de novo? As músicas dos Racionais são reais, navalha na carne. Tudo aquilo volta. É sangue de novo, morte de novo, toda aquela dor de novo. Quem não sente dor ouvindo aquilo não entende o que é Racionais. Racionais era tristeza, uma narrativa triste. É como pegar o programa do Datena de 1992 e assistir de novo.

E na pergunta seguinte em que o jornalista pergunta sobre a piada que ele fez em seu primeiro show solo do álbum "Boogie Naipe"
Brown fez a seguinte piada: Tô feliz em fazer música pra festa, porque, até agora, minha música só tocava em velório”

Eu sou piadista. A verdade é foda, mas eu sabia que eles iam rir. A forma que eu conduzo já é meio tirando onda. Mas é pesado, sim… Racionais tocou em muito velório. Ouvi muito isso: “Tocamos no enterro do meu filho”, “Ah, no caixão do meu
Mano Brown também fala sobre sua preocupação em criar 2 filhos negros.

Meu filho tá saindo da adolescência agora. Ele é negro, alto, forte e você sabe o que a sociedade pensa a respeito de pessoas assim. Então eu falo pra ele tomar cuidado. Não dar mole, morô? Ser astuto. Inteligente, trabalhador. Mas tem muitas armadilhas. Então eu cuido dele como um moleque negro no mundão. A menina também, é batalhadora, é ativista. Ela tá pronta, tá no DNA. Ela tem 21 e ele, 18. Eu era presente na infância deles. No disco Nada Como Um Dia…, a parte que me coube das músicas, eu fiz tudo em casa com eles crescendo em volta. Tenho saudade. Era uma época boa… mas tava duro, sem shows, 12 condomínios sem pagar [risos].

A quem vai dizer que o Mano Brown se vendeu ou mudou de postura, eu vejo que ele e todo o grupo sempre tiveram estes pensamentos, mas o Racionais ficou gigante, se tornou um monstro incontrolável.
Hoje com todos maduros, pai de família, eles tem outra visão. Não adianta gritar revolução com as contas atrasadas certo..?
Muitos vão dizer que é a vitória do capitalismo, mas eu vejo que o Brown teve que se adaptar para sobreviver em meio ao capitalismo.


A entrevista é grande e genial vale apena vocês conferirem: Papo Reto: hoje, Mano Brown é paz e amor

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