sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Nota de repúdio aos episódios nas batalhas de sangue


QUEM QUER BATALHA BOA GRITA SANGUE!!!!!!

Mais uma vez surge no facebook um relato de alguém que presenciou uma fita errada em alguma batalha de rima Brasil á fora. Dessa vez uma mina relatando o silenciamento de várias minas que repudiaram uma rima e atitude de MC's na batalha do Largo. Travestidos de MC`s, estão acostumados a dizer "mas é batalha de sangue" pra passar pano pras próprias fitas erradas. 
Posso estar falando algum dado incerto, mas as batalhas de rimas tem origem nas rinhas de freestyle no Bronx, em 1970, concomitante ao Rap. 1970. 2017. 47 anos.
Não que a vista deve ser grossa pra olhar pro passado, mas é inadimissível olhar pra sociedade em que estamos inseridos com o olhar de quase 50 anos atrás. Batalha de sangue não é, ou pelo menos não deveria, ser a chuva de idéia errada que tem se tornado. 
Como organizadora e apresentadora de batalha, eu Ana, já presenciei momentos zoados, que me posicionei e aparentemente os presentes entenderam o que se passava e o porque do meu incomodo. 
As batalhas de Rap são uma aproximação única das pessoas a cultura Hip Hop, no interior principalmente é a porta de entrada de crianças e famílias pra cultura, já que em geral acontecem nos bairros periféricos, reafirmando mais uma vez a questão de ser um movimento de resistência e cultura. 
Não tô cagando regra de como cada organizador deve conduzir as batalhas, mas algumas coisas são importantes prestar atenção, principalmente pra quem se diz parte de um movimento transformador como é o Hip Hop. 
As nossas concepções sobre as regras das batalhas foram elaboradas em modos de sociedades passados e acabou não acompanhando o desenvolvimento da sociedade em que a prática está imersa. Engraçado que muitos desses novos MC's dizem que quem reclama quando acontece algum fato deselegante nas batalhas não sabe o que é batalha de sangue e deveria estudar, são os mesmos que fazem um bando de som lixo sem idéia nenhuma e reclama quando alguém critica, dizendo que "só gosta de rap ultrapassado". Ou seja, só usa o fundamento pra passar pano pras merdas que faz, não pra manter a caminhada linda e elegante.
Em nenhum lugar do mundo vai ser normal, engraçado ou técnico chamar a/o adversário de puta, vadia, macaco, urubu, portadora de HIV, ou fazer apologia a violência sexual. E mais do que os MC`s, é um compromisso do público se posicionar na hora sobre o ocorrido. 
Não sejam embustes, técnica se mostra em qualquer rima, não precisa externar idéia errada pra mostrar que é batalha de sangue. 

Repudiamos ocorridos como o silenciamento das minas na batalha do Largo, repudiamos o MC que soltou um "urubu" pro Underson Leitty na batalha da Aldeia. Repudiamos o Pelé e a rima sobre o estupro. Essas paradas não fazem nada pra cultura, pelo contrário, só atrasa lado e mostra como a gente precisa muito do tão estereotipado "rap de mensagem" que essa galera tira sarro.



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