segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Novo clipe de Rincon Sapiência "A Volta Pra Casa", narra com sensibilidade a rotina da classe trabalhadora



Poesia do cotidiano
Novo clipe de Rincon Sapiência narra com sensibilidade a rotina da classe trabalhadora

No dia 24 de novembro, o rapper Rincon Sapiência lança o videoclipe “A Volta pra Casa”, faixa que integra o seu premiado álbum de estreia “Galanga Livre”. O lançamento promete emocionar o público ao homenagear a classe trabalhadora, que sofre cotidianamente com as condições precárias do sistema público de transporte. No clipe, a sensibilidade do rapper em traduzir através da poesia a rotina de grande parte do povo brasileiro ganha ainda mais força com as cenas, combinação que dá forma a uma narrativa comovente.

Com roteiro, direção e produção da dupla de diretores Kill the Buddha, formada por André Chitas e Vinicius Terranova, o clipe foi rodado em São Paulo e contou com a coprodução da Barry Company e da Boia Fria Produções. A história coincide com a realidade da população periférica, que perde boa parte do seu dia no trajeto entre o trabalho, a faculdade e o lar. “O clipe teve como principal conceito uma representação poética dessa luta diária do trabalhador brasileiro, que é a sua volta pra casa. Depois de um dia de trabalho árduo, das jornadas duplas, dos perigos que a cidade impõe e da precariedade dos transportes, esses cidadãos são confrontados com essas dificuldades diariamente”, explica a dupla de diretores.

Para representar a ideia, André e Vinicius optaram por desenvolver um clipe que representasse esses sentimentos através da dança e da expressão corporal. O elemento atemporal, com cenas que poderiam se passar nos anos 60 e 70, foi adotado como uma maneira de enriquecer a linguagem, marcada por uma veia surrealista em diversos momentos do clipe.

A música é um dos destaques do álbum “Galanga Livre” e traz belos arranjos de cordas que tocam fundo a alma dos ouvintes. Os versos de Rincon Sapiência traduzem poeticamente tanto a rotina de uma trabalhadora quanto a de um trabalhador em seus trajetos de volta para casa. Apesar do cansaço, eles enfrentam as dificuldades e os perigos do caminho, que são coroadas pelo reencontro com suas famílias e o aconchego do lar ao final da longa jornada. A temática é recorrente no trabalho do rapper, que já tratou sobre a questão da mobilidade urbana e do direito de ir e vir no clipe “Transporte Público” (2013), época das grandes manifestações contra o aumento das passagens em diversas capitais do país.

O videoclipe “A Volta pra Casa” atesta a versatilidade do Mc em tratar sobre temas rotineiros de maneira singular, construindo uma narrativa que espelha o dia-a-dia da população periférica brasileira, ao mesmo tempo que reflete a realidade vivida pelo próprio rapper durante seus deslocamentos pela cidade. Assim, o lançamento se revela como uma verdadeira crônica cotidiana, que propõe relatar histórias de vida anônimas vividas pelos trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil.

ASSISTA:



FICHA TÉCNICA

Roteiro e Direção 
Kill The Buddha

Direção de Fotografia
Bruno Tiezzi

Direção de Arte
Carol Mello 

Vinicius Terranova

Produção
Kill The Buddha
Barry Company
Boia Fria Produções

Atores
Luedji Luna  

Loïc Koutana

Edição de Moda e Figurino

Fernanda Ferreira Garcia

Figurino Rincon Sapiência
Fernanda Garcia 

Roro Rewind
Juliana Yoshie

Assistente de figurino
Natália Eloi
Vitória de Agostíni
Mariana Genovese
Marjory Janini

Maquiagem
Gabriela Jovine

Assistente de maquiagem
Laila Boy

Design Gráfico 
Colletivo Design LTDA
Marcelo Roncatti
Color Grading 
Bleach - Serginho

Assistentes de Imagem
1º Assistente de Câmera: Keller / Peterson Lomovtov
2º Assistente de Câmera - Paulo Rodrigues

Operador Gimbal - Jefferson Guimarães

Logger 
Alex Najas
Rodrigo Soares 

Elétrica
Chefe de Elétrica: Luiz Claudio Damasceno

Assistentes de Elétrica: Rodrigo Gavião, Heverton, Marcelo, Vagner

Marcas de Apoio
B.Luxo
Guarda Roupa SP
Spazio Vintage
Santa Vintage Shop

Locações
Livraria Cultura - Auditório Eva Hertz
Condomínio Cultural
Ônibus: Carro de Cena
Família Vende Tudo: Patrícia Nora

Objetos de Cena
Família Vende Tudo: Patrícia Nora
Objetos de Cena


Figurantes:
Nairim Bernardo, Felizberta Bawar, Sheila Bawar, Luan Mamed, Leonor Mamede, Milton do Carmo, Ana Cavalcante, Natália Eloi, Mariana Genovese, Alex Najas, Laila Boy, Carol Mello, Edna Maria, Sarah Pereira, Samuel Pereira, Edilson de Souza, Rafael Souza, Ana Beatriz Santos, Taikim Shuan, Gabryel Braz, Vinicius dos Santos, Miguel de Oliveira, Alessandro Gromik, Olavo Ganex



+Galanga Livre
Tido como um dos destaques do ano no cenário musical brasileiro, o álbum “Galanga Livre” rendeu a Rincon Sapiência três troféus do Prêmio Multishow 2017 nas categorias "Artista Revelação", "Melhor Produção" e "Melhor Capa", liderando as indicações do Superjúri ao lado de Chico Buarque, além de figurar na lista da APCA entre os 25 melhores álbuns nacionais do primeiro semestre. Aprimorando a originalidade de suas composições, já marcadas por influências do rock e das músicas africana, eletrônica e jamaicana, no novo disco o rapper revela maturidade poética e musical em 11 faixas e mais duas bônus tracks.

A notória negritude que distingue o trabalho de estreia do Mc paulistano se faz sentir nos ritmos, que vão desde a capoeira até o blues, passando pelo coco e pela tropicália, até o afrobeat, permeadas pela sua veia rock and roll característica. Atestando o seu talento como produtor, as músicas foram todas produzidas pelo próprio rapper, com exceção de “Amores às Escuras” (Gambia Beats).

O álbum contou com a coprodução musical, mixagem, e direção do experiente William Magalhães (Banda Black Rio), união que conferiu o equilíbrio entre a ancestralidade e o moderno. Mixado por Arthur Joly (Reco-Master) “Galanga Livre” exalta sonoridades das raízes africanas, combinadas com letras que abordam a consciência e a valorização da afrodescendência no Brasil contemporâneo. Lançado pelo selo Boia Fria Produções, o conjunto da obra rendeu as bênçãos de três grandes referências de Rincon Sapiência, os rappers Xis, Mano Brown e Black Alien. Os elogios dos veteranos estão registrados no belo encarte que acompanha a versão física do álbum, que desde o lançamento tem sido aprovado pelo público e pela crítica especializada.

Atestando o porquê do seu vulgo Manicongo, no disco o “Senhor do Congo” da Zona Leste de São Paulo cria a sua narrativa sobre o crescente empoderamento dos pretos e pretas no Brasil. A história se desenvolve a partir da saga de liberdade do escravo Galanga, personagem de um conto fictício criado por Danilo Albert Ambrósio, o cidadão do mundo que vive por trás de Rincon Sapiência. Após sua fuga, Galanga passa pela quebra das antigas correntes que prendiam o ex-escravo, que agora liberto se aventura pelas ruas da cidade grande, numa mistura de ficção e da cruel realidade rotineira dos grandes centros urbanos. No caminho, as músicas são a trilha sonora do relato sobre as armadilhas da opressão secular que se impõe ao povo preto e as vias conscientizadoras para se escapar dela. Transitando entre uma África onde viveram reis e rainhas e a África diaspórica futurista que hoje ocupa as metrópoles, Galanga desfila livre e imponente o orgulho de suas origens através da afirmação política e da estética preta.

O resultado é uma sequência de afro raps intensos, que alternam na medida doses de um discurso cortante sobre a autoafirmação dos afro-brasileiros com baladas mais sutis sobre temas cotidianos que, ainda assim, conservam um olhar crítico. Tudo isso é balanceado pela habilidade nata de Rincon Sapiência em jogar com as palavras e por sua notável fome de rima, que o consagraram como um dos Mc's mais talentosos do rap nacional. No álbum “Galanga Livre” sente-se a força da versatilidade do rapper, revelada pela total imersão no processo criativo de suas músicas desde a ideia inicial até o produto final. Assim, o disco sinaliza a evolução de suas produções independentes, expondo como Rincon tem escurecido o seu verso e a sua música através de uma postura de afrontamento no debate da identidade preta na atualidade.

+Rincon Sapiência
Nascido e criado na Cohab 1, zona leste de São Paulo, Danilo Albert Ambrosio (31) iniciou sua carreira em 2000, cantando em grupos do bairro. As experiências vividas nas ruas da periferia paulistana desde a metade dos anos 80 são traduzidas por Rincon Sapiência em versos inteligentes e sagazes, que abordam questões raciais e sociais no contexto da metrópole.  Em 2004, o rapper ganhou destaque como Mc fazendo rimas de improviso, e, desde então, passou a se dedicar profissionalmente ao Rap. A projeção nacional veio a partir de 2005, quando Rincon Sapiência venceu o campeonato de improviso realizado durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. No mesmo ano, o rapper se aliou ao selo Plano Áudio, idealizado pelo rapper Kamau, com quem lançou sua primeira faixa “Aventureiro” no disco “Escuta aí”, do grupo Simples.

Em 2008, Rincon participou no aclamado disco solo de Kamau, “Non Ducor Duco”, nas faixas “Por que eu Rimo” e “Tambor”, as quais também contribuíram para que o disco fosse considerado pela Revista Rolling Stone brasileira como um dos 25 melhores discos nacionais daquele ano. No ano seguinte, Rincon se firmou como protagonista na cena Hip Hop com a música “Elegância”, que caiu no gosto dos Dj’s e se tornou uma das faixas do rap brasileiro mais tocada em bailes no país. A música ganhou um videoclipe, que entrou na programação da MTV Brasil e foi indicado ao VMB 2010 na categoria Melhor Videoclipe de Rap. No mesmo ano, Rincon Sapiência participou do álbum “Projeto Paralelo”, da banda NX Zero - do qual também participaram outros Mc’s de peso do rap nacional como Emicida, Kamau e Rappin’ Hood – na faixa “Tarde pra Desistir”, uma das mais executadas do disco.

Característica marcante da sua produção artística, a exaltação de temas relacionados às raízes africanas é uma constante nas músicas de Rincon Sapiência, que abordam a consciência e a valorização da afrodescendência, reconhecida em solo africano durante os festivais dos quais o Mc participou em 2012. Tanto na sua apresentação no Festival 2H, em Dakar, capital do Senegal, quanto no festival Asalam Maleikum Hip Hop, na Mauritânia, Rincon Sapiência foi aclamado pelo público africano. No berço de seus ancestrais, Rincon mostrou que estava em casa pela sua performance de palco contagiante e também pelos instrumentais utilizados, como o sample de berimbau e referências à capoeira na faixa "Música Preta".

Em 2014, Rincon lançou “SP Gueto BR”, o primeiro EP da carreira do rapper, que contém 8 faixas oficiais e duas faixas bônus. Um dos destaques do rap nacional daquele ano, o EP foi em grande parte produzido pelo próprio Mc, e traz uma forte identidade musical, com influências das músicas eletrônica, rock, ska, reggae, samba e até o clássico estilo boombap dos anos 90. Desde então, o rapper vem lançando alguns singles de grande repercussão, que também contam com videoclipes alinhados ao discurso e à estética das músicas.

Em dezembro de 2016, Rincon Sapiência surpreendeu a cena com “Ponta de Lança (Verso Livre)” ao lançar uma provocação interessante aos admiradores do rap nacional. Inspirado pela cena atual no país, a música propõe o resgate da cultura do MC ao destacar a magia das palavras, o encaixe das rimas e as histórias contadas através das letras. Em pouco tempo o videoclipe dirigido por Jonah Emilião (Rasputines art) alcançou mais de 8,9 milhões de visualizações no Youtube e rendeu elogios do consagrado ator francês Vincent Cassel pela sua originalidade estética. Gravado com uma câmera Sony vx2000 nas ruas da Cohab 1, na periferia de São Paulo, o clipe traz naturalmente a textura dos vídeos antigos, remontando à época em que o MC ocupava lugar de destaque no rap brasileiro.

Rincon Sapiência faz parte do coletivo Audácia junto com o grupo Q.I. Alforria e os Mc's DiKampana, Raphão Alaafin, R.G. do Q.I., James Bantu, ZeroOnze, Rocha e Ba Kimbuta. Na sua carreira solo, Rincon Sapiência conta com as habilidades do DJ Mista Luba, parceria nutrida desde 2004. Em ambos os trabalhos, Rincon se destaca pela música e postura elegantes, marcadas pela sutileza contundente das metáforas, que prezam pela originalidade e inteligência, livres de vulgaridade. Assim, seu perfil rendeu participações em campanhas que utilizaram o rap em seus conceitos, como o cypher “Revolução”, lançada pela Nike, e a da Caixa Econômica Federal que homenageou a atleta olímpica Fabiana Murer durante os Jogos Olímpicos Rio 2016.

A universalidade da música e dos temas abordados pelo repertório de Rincon favorecem o seu trânsito em outros círculos que não sejam necessariamente periféricos. Sua forte identidade artística, reforçada pelo seu estilo original, também está presente na videografia do rapper, que conta com os clipes "Elegância", "Transporte Público", “Linhas de Soco”, "Profissão Perigo", "Coisas de Brasil", “A Coisa tá Preta”, “Ponta de Lança”, “Meu Bloco” e “Ostentação À Pobreza”, além da recente participação no cypher “Poetas no Topo 3.1”. A estreia nas telonas veio em 2013, ao contracenar com o ator Wagner Moura no filme "A Busca", dirigido por Luciano Moura, seguida da participação no filme “Jonas”, dirigido por Lô Polliti, do qual também participaram os rappers Criolo e Karol Conka.


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