segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Esse post dedicamos a rainha do UBC!


Madrugada do dia 3 de dezembro de 2017, cerca de 1 hora da manhã, sentada na rodoviária do Tietê esperando pra retornar pra casa, pós o melhor show que eu presenciei no ano, do Raekwon, eu Ana, me pego a pensar ... CARALHO MALUCO, EU ACABEI DE ENTRAR NA RODA DE BATE CABEÇA COM A RÚBIA DO RPW!


Tenho certeza que essa foi a sensação comum a muitas e muitos presentes no Festival Batuque 2017, e em todos os outros eventos que tem o prazer de trombar essa mulher. Tendo esse fato como start, eu e meu parceiro Anderson Hebreu decidimos montar essa matéria surpresa, quem é Rúbia Paula Fraga e porque todo esse sentimento de gratidão por essa mulher incrível? Então essa parte da matéria vem apresentar essa mulher incrível pelos olhos de outras mulheres, e logo menos pelos olhos dela mesma. Espero que gostem, porque nós amamos!

W-Yo, DJ Paul, Rubia - RPW (Foto acervo RPW)
É difícil desvincular a história da Rúbia Fraga da Rúbia RPW, fora mais de 20 anos só de grupo, alguns mais de Hip Hop. Bom, a Rúbia Fraga vai se apresentar logo menos, na entrevista espetacular que ela nos concedeu. Esse post é pra evidenciar a importância da artista, da figura ética e de uma caminhada linda no rap, como representatividade para outras mulheres.
Pra começar, recentemente entre amigos discutimos a questão de como são diferentes as relações estabelecidas entre os homens no rap e as mulheres no rap. De um lado, muitas vezes, acontece uma espécie competição, não que não haja entre as mulheres, mas essa situação é expressamente esmagada pelas mãos estendidas, pelo acolhimento e fortalecimento nos trabalhos.

Querem dois exemplos? Em 2001, o grupo RPW deu uma pausa nas apresentações e cada integrante seguiu com novos trabalhos, Rúbia fez seus projetos com o "Minas na Rima" e "Hip Hop Mulher" que trabalhavam em prol da visibilidade e oportunidade para e da mulher, trabalhando com seminários, debates, palestras, shows e oficinas. 
Em 2010, Rubia já somava a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, um um coletivo importantíssimo de Mulheres no Hip Hop do Brasil que busca disseminar cultura e busca de políticas públicas de gênero. Busca fortalecer ações protagonizadas por mulheres que atuam no Hip Hop, em suas diversas linguagens. Diante dessas ações, das mulheres correndo e atrás da qualidade pros próprios trabalhos, se auto organizando e batendo de frente com a dura caminhada no mundo machista, é fácil lembrar da analogia de que "o Hip Hop é uma mulher que se desdobra em 5 pra nos educar!".

Rúbia (RPW), Dina Di (Visão de Rua - D.E.P.) e Cris (Lady Rap) - Foto acervo RPW
Convidamos algumas MC`s para responderem algumas perguntas sobre o que a Rúbia representa, para a formação delas entre outras coisas. Confiram parte das respostas da rapper Souto MC e Sara Donato.

As perguntas que fizemos, foram evidenciando quais as primeiras impressões e representações que uma figura feminina de tanta força traz as mulheres que seguiram no Rap.


NP: Você se recorda da primeira vez que viu a Rúbia?



Souto MC: Eu vi a Rubia a primeira vez num show com o RAP Plus Size e eu não tava entendendo direito o que tava acontecendo porque pra mim parecia surreal.

Sara Donato: Eu conheci a Rúbia sem nem saber qual era a face dela rs, lembro de escutar algumas, mas a música na casa dos meus primos era ''talento não morre recicla e pule ou empurre'' e foram as que eu mais escutava lá. Depois disso lembro de ver ela no clipe do Visão de Rua com Consciência Humana e Gog - Ruas de Sangue - onde ela aparece rs. 

E bem depois conheci pessoalmente em um dos eventos do HIP HOP MULHER. 


NP: Qual a impressão que te causou ver uma mulher estar nos vocais cantando rap no estilo que o RPW se propunha? 

Souto MC: A impressão era: quero ser igual ela,haha. A importância e a representação  que essa mulher carrega é imensa.
Sara Donato: No começo não entendia muito mas com tempo entendi que era muita força, uma mulher gorda cantando e botando pra baixo os palcos era sensacional de conhecer. 

NP: Sempre nos lembramos de Dina Di como eterna rainha do Rap Nacional, todas as pessoas que conviveram com ela descrevem exatamente como era uma mulher guerreira. Mas olhando pra cena hoje, qual a representação que podemos tirar da presença tão próxima e acessível da Rúbia pra sua caminhada na música? 


Souto MC: Aprendizado com certeza. 

Sara Donato: Eu tiro muita força e sempre costumo falar que os caras que eu era fã sempre pareceram muito distante e com a Rúbia é algo tão acessível que além de fã hoje nos tornamos amigas, fizemos sons e dividimos vários palco por ai ...

Sara e Rubia na apresentação do Rap Plus Size no SESC Campinas. Fotos Adriana Yamamoto

NP: Segundo palavras da própria Rúbia em uma conversa informal, as manas que entenderam que o "juntas somos mais fortes" estão tendo um resultado muito bom na música. O resultado é a tomada de assalto das minas nos últimos anos. Em um curto espaço de tempo dentro do rap, as mulheres conseguiram muito mais "evolução" que os manos. Você concorda que a forma como essas referências femininas se portaram foi essencial pra ascensão das mulheres na cena do Hip Hop atual?



Souto MC: Com certeza! Se não fosse pela caminhada dessas mulheres e esses pensamentos eu nem sei o que seria hoje pra mulheres do rap nacional.

Sara Donato: Eu não só concordo como tenho a certeza disso, essas e outras mulheres que chegaram bem antes de mim me acolheram e mostraram que eu poderia ser bem mais que apoio de palco pra macho, que eu poderia e deveria contar minha historia e foi isso que fiz, acatei tudo que dizerem e coloquei na minha vida. Eu conheci Dina Di, conheci Rubia, Rose e Sharylaine me falaram que eu poderia ser oque eu quiser e aqui estamos nós! Sendo oque somos e acreditando que não é apenas por mim, são por elas e por cada mina que sonhou em fazer isso um dia e por todas que seguem resistentes, juntas somos mais fortes e muito mano vem se desesperando rs. 


Extinto Tio Sam Club em 2006 - Foto do acervo do grupo RPW
NP: Se estivessem falando com ela pessoalmente nesse momento, qual mensagem que diriam a Rúbia?

Souto MC: Muito obrigada por me a oportunidade de dividir palco e vivência com você, você é uma escola em pessoa! Obrigada por tudo!
Sara Donato: Muito obrigada por resistir, fortalecer e acreditar nos sonhos de mulheres por todo canto desse Brasil. 
Eu sou eternamente grata pelo carinho, pela atenção e por cada abraço e ideia trocada, pra além de palco e som eu falo de vida. 
Nosso rap é plus size muito além de vestimenta e obrigada por ensinar que ''MEU MAIOR ORGULHO É TER NASCIDO MULHER'', POR ISSO SEGUIMOS CONVIDAMOS MAIS GAROTAS PRA ESSE CLIMA! 
SE A VIDA É UM ETERNO BATE CABEÇA, AQUI ESTAMOS NÓS!



Rubia na apresentação do Rap Plus Size no SESC Campinas. Fotos Adriana Yamamoto
 Como mostra a rápida entrevista que fizemos, a velha guarda de mulheres do rap, representada aqui pela Rúbia, não tem ego e sempre trouxe pra perto a nova geração de minas. Não só Rubia, como a Sharylaine, Rose e a Dina Di que infelizmente não teve tempo na terra pra colher os frutos da famosa linha "quando as minas resolverem se juntar, muito mano vai se desesperar”, todas essas mulheres se organizaram para cuidar de fato do Hip Hop, não uma música, não uma dica de produção, mas um todo, uma caminhada baseada na qualidade musical mas também no respeito pela postura. 



Revista que ilustrava Rúbia - foto acervo da Rubia
Um fato que me chamou a atenção, foi essa matéria que saiu na década de 90, traz como título "Rúbia é branca, e daí?". Pra quem pensa que a afirmação "o rap tem cor" é algo atual, trazemos essa imagem. O subtítulo da matéria diz "Rubia é uma mulher branca, em um meio majoritariamente masculino e negro", quase duas décadas depois, o debate persiste, o cenário se mostra diferente com o já debatido no blog, chamado "embraquecimento do rap", porém feito de maneira rasa, acaba por deixar passar batido que esse "e daí?" que acompanha o título é algo que pode ser visto como uma conquista, que reflete quem é Rubia. Rubia é branca sim, e daí? E daí que a qualidade musical sobressai, a luta pela manuntenção e resistência de uma cultura da qual ela entende, faz parte e ajudou a construir nos faz não reparar a cor da pele dela. Mas principalmente a consciência da mulher atrás do microfone, que é mãe de uma filha e um filho negro numa sociedade racista, onde o Hip Hop se tornou uma grande arma para denúncia. 



Diante de tudo isso, o Noticiário Periférico vem agradecer a todas as mulheres do Hip Hop nacional pela forma que levam a cultura, o movimento, o modo de vida. 
Em especial, viemos homenagear de maneira singela nossa amiga, ídola, rainha, Rúbia Paula Fraga, a Rúbia RPW, e mostrar um pouco do que referências próximas são capazes de promover. 

Esse post dedicamos a rainha da UBC. 
Abaixo tem a entrevista com Rubia RPW aqui no NP. Isso é um pouco surreal pra nós, fãs, mas é real!

O Noticiário Periférico, teve o prazer de conversar com a Rúbia, do lendário trio RPW

O Noticiário Periférico, teve o prazer de conversar com a Rúbia, do lendário trio RPW


Tivemos o imenso prazer em entrevistar um dos maiores ícones do rap brasileiro, Rúbia Paula Fraga, mais conhecida como Rúbia RPW.

Nem em nosso maior sonho, acharíamos que nós teríamos o prazer de entrevistar esta importantíssima mulher que contribuiu muito para o rap.
Não darei muito spoiler sobre o que a Rúbia falou, mas conversamos com ela sobre: Seu começo no rap, varias fita sobre o RPW, Machismo no rap, Bate Cabeça e muito mais. Confira!