segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

"NEGROR", peça-panfleto que denuncia o genocídio da população negra no Brasil, estréia nas ruas de SP

FOTOS: PEDRO JACKSON

Tendo como mote central a denúncia do Genocídio da População Negra no Brasil, em particular o Genocídio da Juventude Negra pela Polícia Militar, o espetáculo "NEGROR" aponta o dedo em direção a um problema crônico e reconhecido pela ONU e por diversos órgãos internacionais ligados aos direitos Humanos. Sidney Santiago Kuanza, ator, pesquisador, militante e diretor de Teatro brasileiro criou o projeto dentro da prerrogativa do Teatro Fórum, sendo composto de espetáculo itinerante e, ao final, conta com uma ação Roda de conversa entre o público e os artistas. O projeto passará por lugares como Diadema, Ribeirão Pires, Santos, Guarujá, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, São Miguel Paulista, Capão Redondo, incluindo outros locais, entre os dias 19 de janeiro de 2018 e 07 de fevereiro de 2018, sempre em dois horários, às 13h e às 17h. (confira programação abaixo)

O espetáculo é uma homenagem a Associação das Mães de Maio, um agrupamento de mulheres que tiveram seus filhos mortos pelo polícia em 2006 num massacre conhecido como "Crimes de Maio". Elas pedem justiça não só para os próprios filhos, mas para criar uma forma de luta, atuação e movimento social de combate aos crimes do Estado. "NEGROR" é uma criação poética, mas acima de tudo a criação de um panfleto como uma linguagem dentro do objetivo de criar novos encontros. "Chegou o momento de irmos para rua, estamos num momento crítico da sociedade brasileira onde temos que proporcionar e friccionar o tempo, proporcionar encontros inesperados. Por esta razão vamos com este projeto para pontos de ônibus, terminais de ônibus e praças públicas. A idéia é atingir o maior número de pessoas e poder comunicar esta problemática, que é brasileira", explica Sidney.


Peça-Panfleto-Itinirante

Classificado como Peça-Panfleto-Itinerante, o universo alegórico e mítico do Boxe é pano de fundo da encenação. A ação é contínua e dividida por assaltos. Os personagens são dois lutadores de boxe, um juiz, uma moça do placar e um fotógrafo. Através da formação de quadros vivos e de procedimentos dramáticos e épicos, pequenos relatos de casos reais envolvendo o assassinato de meninos negros são compartilhados em uma estrutura narrativa transformada em depoimentos em primeira pessoa.

A Peça- Panfleto resgata a tradição do Teatro panfletário dos anos 1970, na qual Comunidades Negras brasileiras por meio de agremiações, escolas de samba e centros religiosos se utilizavam do teatro como ferramenta para denunciar práticas excludentes, assim como, apontar o racismo como um sistema estruturador e estruturante das relações no país.

FOTOS: PEDRO JACKSON

O números da violência

O Atlas da Violência divulgaldo lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2017 e revela: A cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas. A pesquisa foi desenvolvida entre os anos de 2005 e 2015. "Nós precisamos acreditar nos Direitos Humanos e em uma cultura de paz. As mortes e a violência não são uma solução. Temos hoje a polícia que mais mata e que mais é morta na história. Isso significa que essa tecnologia da barbárie ela não funciona", diz Sidney.

Segundo o ator e ativista, o projeto surge como uma forma de radicalização de trabalhar performance e trabalhar a rua. O foco está em ir para a rua com uma encenação potente, que possa tocar as pessoas e transformar o cotidiano com pautas importantes, como o genocídio da juventude negra brasileira, uma problemática que está inserida num contexto de Estado onde não houve reparação do período de escravidão.

O Selo Homens de Cor

O Selo Homens de Cor é uma Zona autônoma - um agrupamento artístico que tem como norte pesquisar e produzir poéticas negras. Idealizado e dirigido pelo premiado ator e ativista Sidney Santiago Kuanza. Surgido em 2012, na Cidade de São Paulo, fruto de um grupo de estudos e discussões sobre Masculinidades Negras, o selo contou com os seguintes artistas em sua fundação: Rafael Ferro ( ator, diretor e membro do Grupo de Teatro Redimunho), Diego Ganguçu ( geógrafo, músico e militante do Movimento Negro Unificado), Sidney Santiago Kuanza ( ator, produtor, co- fundador da Cia os Crespos e pesquisador do teatro negro brasileiro) e Pedrão Guimarães ( Historiador, Ator e Performer da Frente 3 de Fevereiro).

FOTOS: PEDRO JACKSON

Ficha Técnica

Realização: Selo Homens de Cor Direção: Sidney Santiago Kuanza Performers: Pedrão Guimarães, Vítor Bassi, Larissa Nunes e Sidney Santiago Kuanza Fotografias: Pedro Jackson Contra-regra: Frederico Azevedo Produção: Adriano José e Sidney Santiago Kuanza Web designer: Rodrigo Kenan Redator: José Nabor Jr.

PROGRAMAÇÃO

19 de janeiro, sexta-feira

13h - Diadema - Praça da Moça, entre a rua Graciosa e Av. Alda (Centro)

17h - Ribeirão Pires - Estação de Trem (Linha Turquesa)

20 de janeiro, sábado

13h - Santos - Praça das Bandeiras - Av. Vicente de

Carvalho, S/N - Gonzaga

17h - Guarujá - Praia do Perequê

25 de janeiro, quinta-feira

13h - Itaquaquecetuba (Estação de Trem, Av Presidente Tancredo Neves)

17h - Mogi das Cruzes - Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros, 360. Em frente ao Centro Cultural Mogi das Cruzes, Centro da cidade

31 de janeiro, quarta-feira

13h - São Miguel Paulista - Praça Aleixo Mafra (Praça do Forró)

17h - Itaquera - Rua Gregório Ramalho (Frente Biblioteca Sergio Buarque de Hollanda)

1 de fevereiro, quinta-feira

13h - Capão Redondo (Estação Metrô) - próximo avenida

Carlos Caldeira Filho.

17h - Largo 13 - Rua Paulo Eiró (Calçadão)

07 de fevereiro, quarta-feira

13h - Cachoeirinha - Praça Manoel da Costa Negreiros (Largo do Japonês)

17h - Taipas - Estação de Trem Jaraguá (Estrada de Taipas)