terça-feira, 17 de abril de 2018

Salve Dona Ivone Lara, que sua força se faça presente!

Dona Ivone Lara teve seu nome citado em sons como O Sonho de KL Jay, Papo com Cartola do GOG, Biografia Feminina do SNJ, o clássico Dama Tereza do mestre Sabotage, Sou Negrao do 
Rappin' Hood e tantas outras músicas, mas porque essa mulher carioca de  97 anos,  não é uma perca enorme só pro samba, mas pra história brasileira, e também para o Rap.


13 de abril de 1921, nasce em Botafogo, Yvonne Lara da Costa, que posteriormente seria conhecida como Dona Ivone Lara.

Pensemos na história, 1921, apenas 33 anos da Lei Áurea. Ou seja, o Brasil estava se reconfigurando ainda (e ainda está rs), após mais de 300 anos num sistema escravocrata, por isso em suas letras sempre é possível ver referências negras de resistência muito próximas. Como por exemplo no clássico Sorriso Negro, onde ela canta “negro que já foi escravo” e também de certa forma, denuncia o processo que ocorreu no Brasil pós abolição, onde foram trazidas outras pessoas, para que trabalhassem nas fazendas, escanteando e marginalizando o negro, quando ela diz “negro sem emprego fica sem sossego”, ela parece nos remeter a isso. 



Com 17 anos, ela saiu do colégio para morar com o tio, já que perdera seus pais cedo, foi com o tio que ela aprendeu a tocar cavaquinho e desenvolveu o amor ao samba. Em 1947, ela foim orar em Madureira, e começou a frequentar a escola de samba Prazer Serrinha, foi nessa época, onde os termos feminismo entre outras lutas, nem estavam presentes no Brasil ainda, que ela enfrentou o preconceito vigente, que não aceitava mulheres sambistas. Também foi daí que ela no som Alguém me avisou, menciona "alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho". Formou-se em Enfermagem e atuou como assistente social até 1977, quando passou a dedicar-se somente à música.


"Desde que surgiram os primeiros batuques do samba, a presença feminina foi fundamental para que essa cultura se perpetuasse. Com a vinda das “tias baianas” para o Rio de Janeiro, o samba ganhou o acolhimento de que precisava para sair da “marginalidade”. Alguns relatos históricos apontam Tia Ciata como a responsável por permitir que o samba fosse tocado sem a presença de repressão policial. Por causa dos seus conhecimentos sobre ervas medicinais, ela teria ajudado a curar a doença do presidente da República na época. Como agradecimento, ela teria conseguido a licença para seguir com os tambores no seu quintal." (trecho extraído da Ocupação Itaú Cultural - Dona Ivone Lara).

De forma geral, e análoga ao Hip Hop, o samba também foi marginalizado, e a mulher tem importância fundamental no processo de manuntenção e revitalização da cultura. 
Dona Ivone Lara, vem para mudar e transformar o cenário da mulher no samba. Dona Ivone Lara abriu o caminho para que outras mulheres conquistassem oportunidades na ala de compositores e com isso alcançassem espaço e sucesso no mercado fonográfico.


De forma singela, fica nossa homenagem e lamento pela perda dessa mulher incrível que tanto fez pela cultura que amava. Que seus mais de setenta anos de carreira, que legou à Música Popular Brasileira clássicos que serão eternamente cantados e deixou o exemplo de uma mulher consciente de seu papel e que sempre lutou pela dignidade das sambistas, seja um exemplo a todos e todas nós do Hip Hop. 

Salve Dona Ivone Lara, que sua força se faça presente!