segunda-feira, 30 de abril de 2018

Você sabe cobrar pelo seu trabalho no Hip Hop?



Você está de boa, até que alguém te procura para um trabalho e a pessoa te pede um orçamento. Como você cobraria por um lyric vídeo? Quanto você cobraria para escrever um release? Quanto você cobraria pelo seu pocket show? 

Nós que trabalhamos no Hip Hop (DJ’s, MC’s, blogueiros, produtores executivos, produtores musicais, produtores de eventos, entre outros) damos nosso melhor para sermos reconhecidos e vivermos disso mas, na Hora H, acabamos travando diversas vezes por falta de treino na hora de cobrar por nossos serviços.

Pensando nessas dúvidas (que eu também tive, e muitas vezes continuo tendo) essa coluna tem o objetivo de te ajudar nesse processo.



1) Quais são os serviços que você presta? Antes de tudo, tenha em mente o que exatamente você quer oferecer profissionalmente. Você quer vender shows? Quer vender serviços de assessoria? Quer vender serviços de gravação de guias em seu estúdio? Escreva uma lista (em um papel, no Word, em um bloco de notas ou outra ferramenta que você use com frequência) com tudo isso. E, depois, descreva esses serviços para você mesmo. Vamos supor que você queira vender um show, especifique: quantas músicas você toca nesse show, qual tipo de emoção você passa para o públic, quais são os equipamentos que você utiliza, etc.

2) Quanto você quer ganhar por mês? Com certeza todos gostaríamos de ganhar muito dinheiro. Mas pensando de maneira objetiva: quanto que outras pessoas, que fazem o mesmo que você, recebem por mês? Pesquise muito e tente definir um intervalo. Vamos supor que você seja um produtor musical. Dos produtores que você conhece, com uma caminhada parecida com a sua, qual deles recebe menos por mês (vamos supor: R$800,00) ? E qual deles recebe mais (vamos supor: R$5.000,00)? Definindo esse intervalo (R$800,00-R$5.000,00 no nosso exemplo), já fica fácil pensar o quanto é possível ganhar por mês. E antes de pular para a próxima etapa, pense se esse valor é suficiente para os seus gastos pessoais e seus gastos com o próprio trabalho (impostos de água, luz, aluguel, etc). Isso também já te ajuda a pensar se, a curto prazo, é possível sobreviver apenas com esse trabalho ou se será necessária outra fonte de renda para te ajudar, por enquanto.

3) Quantas horas você quer trabalhar por dia e quantos dias por semana? De novo: com certeza todos queremos trabalhar pouco e receber muito. Mas, papo sério, quantos serviços você consegue prestar por mês? E quantos você realmente consegue pegar? Voltando ao exemplo do produtor musical: claro que você pode produzir músicas todos os dias da semana. Se você tiver um grande estúdio, provavelmente isso vai acontecer. Mas se tiver criado seu estúdio a pouco tempo, talvez a procura seja menor. Leve isso em consideração. 



4) Calculando o valor da sua hora de trabalho agora é pura matemática. Vamos supor que você precise ganhar R$1500,00 por mês, que já é um valor dentro da margem do que outros profissionais iguais a você recebem. E, no exemplo do produtor musical, você tenha um estúdio pequeno que receba em média 10 pedidos de produção por mês. A conta é fácil: divida o quanto você quer ganhar pela quantidade de serviços oferecidos por mês. R$1500,00 ÷ 10 serviços = R$150,00 por serviço.

Agora precisamos ver se esse valor é bom ou se você precisa ajustá-lo.

5) Na média, qual o valor do mercado para os seus serviços? Ainda no exemplo da produção musical, quanto se cobra pelos serviços que você está oferecendo? Na cidade de São Paulo, os preços variam muito, mas é possível pensar dentro do intervalo de R$100,00 a R$500,00 por faixa. Ou seja: R$150,00 por produção está dentro da média. Mais do que isso, com o tempo, é possível você aumentar aos poucos esse valor. O que não pode acontecer é que o seu valor por serviço seja muito acima ou muito abaixo desse intervalo.

6) Esse serviço específico é fácil ou difícil? Todo mundo sabe que existem variações de trabalho para trabalho. No exemplo do produtor musical: existem artistas que simplesmente pedem para o produtor "dar um jeitinho" para que a guia que ele enviou ganhe vida; enquanto outros são mais críticos e pedem tarefas complexas. Nesses casos, é possível incluir isso no seu orçamento. Duplicar o preço do serviço pode ser um exagero, mas um aumento de 20% pode valer a pena. (No exemplo aumentar 20% daria R$180,00).


7) Esse serviço específico terá gastos adicionais? Vamos supor que você seja o MC de um grupo que se apresenta na sua cidade cobrando R$100,00 por pocket show. Agora pense que te convidaram para se apresentar em outra cidade e que para viajar até lá, almoçar e alugar um quarto de hotel para você e o seu grupo passarem a noite custe, no total, R$250,00. Será necessário então incluir também esse valor no orçamento. Além disso, não se esqueça de pensar se para esse serviço será necessário o pagamento de alguma taxa ou tarifa, ou ainda o aluguel de algum equipamento. Com certeza na maioria dos casos é possível negociar com o contratante (no caso do grupo, é possível que o contratante alugue uma van para o transporte e pague pela refeição), mas é sempre importante ter tudo isso em mente na hora de fechar um orçamento.

8) Que tal criar uma tabela de preços? A partir de tudo isso, vale a pena criar uma tabela de preços. Ou seja, uma lista com tudo o que você faz e quanto você cobra por cada uma dessas coisas. Isso já pode te poupar esforços, no futuro, na hora de calcular um orçamento.

9) De tempos em tempos, repita essas etapas. Depois de um certo tempo prestando um determinado tipo de serviço, você pode começar a receber uma demanda cada vez maior, ter planos profissionais maiores e já ter juntado uma grande experiência de trabalho. Tudo isso vai modificar o quanto você quer receber por mês e o quanto você pode cobrar pelo seu trabalho. Então de tempos em tempos (a cada três meses é um bom intervalo), vale a pena refazer essas etapas e reajustar seus preços.

Tudo isso pode parecer um pouco assustador. Nem tão fácil, nem tão difícil: se trata apenas de uma maneira nova de pensar. Assim como começar a treinar na academia, é um processo que se torna cada vez mais fácil com o tempo e a prática. Então tenha fé, tenha foco e força na peruca!