sexta-feira, 29 de junho de 2018

Com um toque de letra, Sergio Vaz usa o futebol de várzea para incentivar a poesia entre os jogadores #VarzeaPoetica


Sergio Vaz é conhecido por suas poesia, mas nos anos 80 o Sergio jogou muitos nos campos de Várzea de São Paulo, sonhando em um dia ser jogador profissional.
Sergio Vaz cerca de um ano usa a tática de misturar futebol de várzea com poesia.

O linha de frente, o camisa 10 da Cooperifa, Sergio Vaz assistindo um jogo de várzea foi provocado por um jogador, para que a Cooperifa descolasse uns jogos de camisa para eles.

Sem nem dominar, Sergio Vaz, mandou de prima: "Arrumo, mano, é só o pessoal do time colar nos saraus da Cooperifa e nós vamos correr atrás de camisas. A rapa aí aceita ir lá ouvir poesia?".


De um papo informal em um dos campos de várzea de SP, nasceu o "Várzea Poética", ação na qual a Coperifa doa jogos de camisa para times de várzea. Em contrapartida o time tem que fazer que alguns de seus jogadores, sempre com seus parentes, frequente os saraus da Cooperifa.
A 12 anos o Sarau da Cooperifa acontece toda quarta-feira no Bar do Zé Batidão, no Chácara Santa, bairro da zonal sul de São Paulo.

Leonardo Soares/Folhapress 

O CDHU Jardim São Luís, com uniforme listrado patrocinado pela Cooperifa, joga contra o Juventude F.C.


"A Cooperifa é periferia dentro da periferia. Não somos um núcleo intelectual das quebradas, queremos apenas mudar as quebradas. O futebol de várzea é uma cultura muito forte na periferia e foi uma das ferramentas encontradas para levar aquele cara do campo de terra ao encontro da poesia", disse Vaz.

Em média, cada sarau reúne 250 pessoas. De 15 a 20 delas são jogadores e parentes. Toda vez que vai ao evento, o boleiro ganha um livro.

"Muitos boleiros que vão hoje ao sarau imaginavam a literatura como algo inatingível, que o evento cultural não era para eles, mas mostramos que estamos no mesmo barco, no mesmo país, o país das quebradas", disse o poeta, também chamado de Dom Quixote de La Perifa.

Até agora, o "Várzea Poética" conseguiu doar sete jogos de camisas novos, todos de marcas usadas por clubes profissionais. Um foi bancado pela Global Editora, que edita livros de Vaz, um pelo Itaú Cultural e os outros quatro pela própria Cooperifa.

Unidos do Morro, Ponte Preta do Jardim Leme, Sossego F.C., Aliados F.C., Jardim Letícia F.C. e CDHU Jardim São Luís, todos da região metropolitana de SP, entraram no "Várzea Poética". Outros oito times querem entrar no projeto, mas a Cooperifa busca apoio financeiro para bancar as camisas.

"O jogador volta a ser moleque quando vê o uniforme de profissional. Ele se sente valorizado e sente nossa verdadeira intenção de apresentar um novo mundo para ele, o da literatura", continua Vaz, que já recebeu vários títulos por ações culturais.

Cartola do CDHU Jardim São Luís, o comerciante José das Graças da Silva, 56, o Zezé, disse que a maior parte dos seus 30 atletas só teve contato com poesia quando foi ao evento da Cooperifa.

Leonardo Soares/Folhapress 
Integrante da Cooperifa recita poesia durante sarau na periferia paulistana


Orgulhoso por já ter contado com os gols do atacante Hernane (hoje jogador profissional no Flamengo) na linha de frente do seu São Luís, Zezé brinca ao afirmar que seus comandados ainda não conseguiram o mesmo desempenho dos campos de várzea nos saraus da Cooperifa.

"O time ainda está tímido para fazer poesia, mas presta atenção. Sonhamos com o dia em que teremos os primeiros versos recitados por alguém do time do São Luís no sarau da Cooperifa", disse.

"Às vésperas da Copa do Mundo no Brasil, talvez o Várzea Poética seja o único evento de futebol para a periferia. Fifa e CBF não fazem nada para contemplar quem não terá dinheiro para participar diretamente da Copa. Nós não estaremos representados na Copa", protestou Vaz.

Fonte: Folha