terça-feira, 31 de julho de 2018

9º Circuito Vozes do Corpo leva espetáculos gratuitos de danças contemporâneas dá Fábrica de Cultura do Jardim São Luís

"Risko" - créditos - Erico Santos

Mostra de Dança

9º Circuito Vozes do Corpo leva espetáculos gratuitos de danças contemporâneas dá Fábrica de Cultura do Jardim São Luís

Ganhador do prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) no quesito Projeto-Programa-Difusão e Memória, o Circuito Vozes do Corpo chega a sua nona edição reconhecida por zelar pela diversidade nas danças contemporâneas. De 04 a 25 de agosto de 2018, o público de São Paulo terá a oportunidade de assistir vários espetáculos gratuitos na Fábrica de Cultura do Jardim São Luís (Rua Antônio Ramos Rosa, 651) na Zona Sul da cidade.

Companhias de Dança, coletivos, solos e apresentações de rua integram a vasta programação desta que é uma das mais importantes mostras de dança de São Paulo. Criada pela Cia. Sansacroma, o Circuito é um festival pioneiro de danças contemporâneas na periferia sul de São Paulo. O evento contribui anualmente para a democratização do acesso a esta forma de produção. Com tradição de oito anos de existência - sem interrupção - compõe a agenda oficial de eventos em dança da cidade.

"Essa edição do Circuito Vozes do Corpo representa a consolidação de um projeto potente e necessário, pois trás em sua programação uma pluralidade nacional da produção em dança de pesquisa. Essa edição será um grande encontro de pensadores e geradores de conhecimento. Será terra fértil para muitas articulações e trocas poéticas e políticas", explica Gal Martins, curadora da mostra e criadora da Cia. Sansacroma.

"Vozes do Corpo, é o nome que se dá para nossas danças, gestos e movimentos. Nessa edição as vozes dos corpos promovem comunhão entre os envolvidos, as trocas poéticas da residência transbordam também em uma programação que entrega para a selva de pedra manifestações artísticas

engajadas nos seus fazeres, com pesquisas, estudos, trabalho e o essencial para a construção de diálogo, a escuta dessas vozes”, explica Djalma Moura, um dos curadores da Mostra.
Sociedade dos Improdutivos - créditos: Léu Brito

Programação

Dia 04 de agosto, sábado

14h – Workshop de Parkour – O artista de dança Felipe Cirilo ensina neste workshop como aproveitar os conceitos da modalidade Parkour na dança contemporânea.

20h – Cia. Sansacroma, espetáculo “Sociedade dos Improdutivos. O questionamento central do espetáculo contrapõe o corpo que é socialmente invalidado ao corpo que é socialmente produtivo. O primeiro é marginal portador de algum tipo de loucura. O segundo é medicado, incluído e sujeitado ao modo de vida capitalístico – corpo explorado até o esgotamento das suas capacidades produtivas. Trata-se da invalidez da reprodução. Força invisível chamada de loucura, transcender coletivo. A não-adequação social produtiva. É solidão. É a história, um itinerário da loucura em fusão para um embate contra o capital. O controle ocidental contrapondo a corporeidade do imaginário africano. São vozes potentes, negras, de territórios e seus povoamentos. Um cotidiano dos que estão à margem e dos que não estão. São vozes da “Sociedade dos Improdutivos”. Duração: 50 minutos

Dia 08 de agosto, quarta-feira

20h – Grupo Contemporâneo de Dança Livre – espetáculo “Queda da própria altura”. O Caboclo de lança – uma personagem da cultura popular brasileira – aparece misturado com o tráfego de ônibus no centro da cidade. O carro de boi e o vaqueiro colidem com a tecnologia e os likes. O cotidiano e o fantástico habitam o mesmo espaço e os tempos transitórios de cada um deles podem viver dentro do mesmo corpo. O espetáculo evoca o transe de um corpo feminino exposto aos dilemas da metrópole e ao resgate de suas raízes. Uma mulher sempre alerta aos ataques sofridos em seu corpo por gerações.

21h – Pedro Galiza e os Corações Inéditos – espetáculo ‘’Acidentes’’. Propõe um atrito entre a sua percepção física, bem como a percepção da audiência. Para tanto, o mesmo convida o público a se sentar em qualquer lugar do espaço, mediante o uso de

um conjunto de cadeiras. Logo depois o mesmo aciona materialidades físicas que desestabilizam o corpo. Duração: 50 minutos

Dia 09 de agosto, quinta-feira

20h – ExperimentandoNus – espetáculo “Da própria pele não há quem fuja”. A dramaturgia transita entre memórias pessoais e nas ressignificações destas manifestações na composição coreográfica. O corpo festivo e sagrado se apresenta como encruzilhada, lugar de encontros e desencontros, lugar de chegada e partida de identidades em fluxo e compartilhamentos de heranças/legados ancestrais afro-brasileiros. No palco, a ancestralidade é recuperada através de coreografias contemporâneas que exploram ideias e elementos que remetem à simbologia dos orixás e de manifestações populares como Zambiapunga e Mandus.

Dia 10 de agosto, sexta-feira

20h – Coletivo 22, espetáculo “Rubro” – é o espetáculo de dança do Núcleo Coletivo 22, um solo de Wellington Campos, que recebe o desafio de percorrer o universo simbólico da mulher tão marcado pela presença do sangue. O sangue: maldito e sagrado!

21h – Morgana Apuama, espetáculo “Risko”. É um espetáculo-performance que propõe o diálogo entre a dança, a fotografia e a cidade. Através dele a artista Morgana Apuama desenvolve em sua dramaturgia diferentes aspectos estéticos-corporais, a fim de debater a luta contra o machismo e racismo na sociedade. Duração: 40 minutos

Dia 11 de agosto, sábado

14h – Workshop “Txina ka Missava”, com o moçambicano Jorge Armando Ngalanga, convida a experienciar a dança como veículo de comunicação com a Terra e como meio de expressão da liberdade. Proporciona a vivência das relações férteis entre o corpo tradicional e o corpo contemporâneo dando ênfase ao movimento rítmico e ao contato do corpo com o solo. Compartilha elementos de danças moçambicanas tradicionais como Nondje, Mapico, Chigubo, Limbondo, Makwae e Ngalanga (dança originária da timbila).

20h – Compartilhando Residência – compartilhamento e trocas entre as Cia. Sansacroma, ExperimentandoNus e Wally Fernandes. As ações envolvem trocas de saberes e pesquisas através de laboratórios de criação mediados pelos três grupos e

apresentação de espetáculos. A proposta ainda inclui um momento de compartilhamento público dos processos realizados pelos laboratórios.

Dia 14 de agosto, terça-feira (Mostra de Rua, Praça Piraporinha – Estrada do M’Boi Mirim, 1000, São Paulo, SP)

15h – Claudia Mueller, espetáculo “Dança Contemporânea em domicílio”. Uma dança que investiga a experiência de entregar dança contemporânea em locais onde ela não é esperada, buscando espaços despercebidos, brechas no cotidiano. Qualquer pessoa pode solicitar gratuitamente Dança Contemporânea em Domicílio em qualquer lugar que queira recebê-la. Duração: 50 minutos

16h – Claudia Mueller, Dança Contemporânea em Domicílio

17h – Claudia Mueller, Dança Contemporânea em Domicílio

Dia 15 de agosto, quarta-feira (Mostra de Rua, Praça Piraporinha – Estrada do M’Boi Mirim, 1000, São Paulo, SP)

19h30 – Grupo Vão, espetáculo “No hay banda é tudo playback”. No espetáculo, subitamente, as artistas surgem no espaço em meio ao público e performam através do dispositivo de dublagem Lip Sync hits remixados dos anos 90. Interessadas no universo paradoxal da cultura pop, que é ao mesmo tempo massificadora e provocadora, a playlist selecionada tenciona essa relação a partir de um recorte nacional e internacional de músicas interpretadas por mulheres. Duração: 30 minutos

21h – T.F. Style, espetáculo “Carne Urbana” – O trabalho busca refletir sobre a fisicalidade dos corpos urbanos e as transformações do corpo, revelando percepções ora silenciadas internamente, ora escancaradas no bando, e que emanam nesta exposição de carnes.

Dia 16 de agosto, quinta-feira

18h – Fórum Danças Contemporâneas: Corporalidades Plurais – Reflexão sobre o atual panorama da dança e como as danças ditas periféricas puderam influenciar este panorama mais heterogêneo nas premiações de editais e prêmios da crítica.

20h – Djalma Moura, espetáculo “Depoimentos para Fissurar a pele” – Iansã é o Orixá que dá corpo para esse trabalho. Inserida diretamente nas coreografias, os movimentos de palco concentram-se em seus arquétipos e analogias em relação á

natureza – sejam elas dentro do aspecto animal ou de tempo – como os ventos, as tempestades, os raios, o búfalo: todos estes elementos são utilizados como disparadores do processo criativo das danças e movimentos de “Depoimentos para fissurar a pele”.

"180" - créditos: Léo Lin

Dia 17 de agosto, sexta-feira

20h – Coletivo Trippé, espetáculo “Fraturas” – Fruto da sinergia gerada pelo encontro da paulista Cia. Siameses com o Coletivo Tripé, “Fraturas” propõe, para o próprio intérprete, uma atenção especial para cada dobradura do corpo, concatenando um movimento ao outro como se, quem executa, estivesse a desenhar no espaço sua própria presença.

21h – Luciane Ramos, espetáculo “Olhos nas costas e um riso irônico no canto da boca”. É uma espécie de travessia, num sentido atlântico e contra- hegemônico, onde o corpo é a um só tempo lócus da diferença e da anunciação crítica. Entre imaginários, ficções e camadas de histórias interrogam as lógicas e relações que produzem “os semelhantes” e “os outros”

Dia 18 de agosto, sábado

14h – Dança Afro Contemporânea – A oficina ministrada por Tainara Ferreira traz Ritmos originários e criados provenientes da África como Ijexá, Congo, Ilú, Maracatú, Samba Reggae, Samba de Roda, Batá, Capoeira são resultados dessa influência africana da qual surge a Dança Afro Brasileira e farão parte do cronograma no decorrer do curso. Valorizando assim a identidade do povo brasileiro em sua essência cultural afrodescendente que reflete a energia e o vigor na atmosfera desse país.

16h - Coletivo Trippé, espetáculo Janela para Navegar Mundos.

20h – Thiago Cohen, no espetáculo “Burua Izali”, realiza um exercício para ritualizar o corte da própria cabeça.

21 de agosto, terça-feira (Mostra de Rua, Praça Piraporinha – Estrada do M’Boi Mirim, 1000, São Paulo, SP)

16h – Everton Ferreira e Iolanda Sinatra, espetáculo “180”. É uma ação coletiva em que 5 performers realizam um giro de 180° em torno de si mesmo por um período dilatado de tempo. Os performers, com o suporte do figurino e máscaras de grama, buscam entender como ‘estar plantado’ em meio à cidade pode não somente deslocar a si próprio, como também aos transeuntes, deste ritmo previamente dado pelo ambiente. Esta ação proporciona uma paisagem quase que surrealista por ruas, praças e calçadões, ao criarem no público a seguinte questão: são pessoas reais ou apenas esculturas espalhadas aleatoriamente pelo espaço?

22 de agosto, quarta-feira

18h – Diálogos Desvio Padrão – “A diversidade das experiências estéticas e sensoriais possíveis”. O encontro traz à tona a discussão sobre formação de público pelo viés da diversidade e chama a atenção para as possibilidades de construção estética a partir de e para as diferentes capacidades humanas, abordando temas como acessibilidade cultural e acessibilidade estética. Com: Maria Fernanda Carmo e Mariana Farcetta

20h – Edson Raphael – Gbé ou Quando o Corpo Renasce Negro – Numa encruza consigo mesmo, onde cada viela indica uma face de sua negritude, a travessia só aponta um caminho reencontro e reapropriação de seu corpo, sexo, ancestralidade e criação de sua relação com o mundo. Gbé ou Quando o Corpo Renasce Negro propõe um manifesto físico ritual do instante em que o sujeito negro se torna negro.

23 de agosto, quinta-feira 16h – Diversidança (Mostra de Rua, Praça Piraporinha – Estrada do M’Boi Mirim, 1000, São Paulo, SP) – espetáculo “Manifesto para outros manifestos”. O objetivo do manifesto é ocupar espaços urbanos com apresentações de dança. A ideia é tornar esta arte mais acessível à população e, ao mesmo tempo, proporcionar reflexões, não só nos espectadores, como nos artistas, no sentido de se questionarem porque dançam e como sua arte pode ser realmente transformadora. Em meio ao caos urbano, à pressa das pessoas, ao estresse do trabalho, do trânsito, a dança da Cia surge como ponto de fuga para o olhar do transeunte/espectador constantemente embebido pela rotina da cidade.

21h – Zona Agbara – Vênus Negra, um manual de como engolir o mundo! Através de uma singela homenagem à Saartjie, a Vênus Negra, mulher africana que há dois séculos foi exibida em uma jaula na Europa por ter proporções avantajadas, o espetáculo propõe exorcizar a condição vivida por ela, transpondo essa problemática para o nosso tempo. Quatro corpos que se desnudam e se lançam na experiência singular de traduzir os processos que tangem suas existências e suas relações sociais.

24 de agosto, sexta-feira

20h – Luara Moreira, espetáculo “Flecha”. A peça aborda a utilização da cor vermelha no corpo como ato de força e reivindicação. A performer tinge seu rosto de vermelho para desfazê-lo, borrar sua identidade, escavar a pele pra sair de si e voltar-se em outras, agenciando ancestralidades e potências de um corpo-cor em transmutação que rasga e conquista territórios.

21h – Dual Cena Contemporânea – Tríptico Sertanejo – A peça mergulha no vasto e multifacetado mundo do sertão brasileiro, com a intenção de decifrar suas paisagens, sua gente e suas lendas para compor uma perspectiva de seu ideário e de suas mitologias. O espetáculo organiza-se a partir de um tríptico, uma obra em três partes interconectadas, que abordam o pujante mito dos bandeirantes (“Tropeiros”), as lendas femininas do cangaço (“Maria e Dadá”), e o cenário pós-guerra de Canudos (“Canudos”). Acenando para o cenário vivo dos sertões do Brasil, o espetáculo traz personagens inesperados, que encenam as relações míticas e lendárias do contexto rural brasileiro, proporcionando aos espectadores um olhar histórico e cultural ao resgate das memórias sertanejas.

25 de agosto, sábado (Mostra de Rua, Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Campo Limpo)

15h – Coletivo Desvelo – espetáculo “Serei-A”. A peça investiga nos corpos de quatro bichas periféricas a construção de uma dança que promova uma encruzilhada entre etéreo e o esquisito; a chacota e o glamour; a densidade e suspensão dos corpos entregues a intervenção que em um mergulho profundo, encontra parceria na escuridão e assim submergem sereias.

16h – Núcleo Avoa, espetáculo “Solos de Rua” – Trata-se de um jogo coreográfico no qual as bailarinas, os músicos e grandes lonas plásticas se afetam mutuamente em contexto urbano, em espaços públicos de grande circulação, misturando-se à paisagem local. Não é possível saber, ao certo, o que emerge de dentro da multidão.

20h – Festa de Encerramento Sansarrada, das 18h às 23h, no CITA Campo Limpo (Rua Aroldo de Azevedo, 20 – Campo Limpo – 5 Minutos do Terminal de ônibus SPTrans)

Serviço

9º Circuito Vozes do Corpo

De 04 a 25 de agosto de 2018

Local: Fábrica de Cultura São Luis Rua Antônio Ramos Rosa, 651 – Jd São Luis – São Paulo/SP

Ingresso: Grátis

Informações: (11)