terça-feira, 10 de julho de 2018

Hebreu Indica #2 - Felina Leoa/Dona da Savana, esta é Tamara Franklin


A Tamara Franklin é uma das grandes Mc's mineira, acompanho o trampo dela desde 2015. Lembro que em 2016 a Tamara foi destaque em nosso site pelo seu álbum "Anônima", onde indicamos 7 Mc's brasileiros que haviam lançado ótimos trabalhos.

Gosto dos trampos da Tamara, porque todos os sons dela passa realmente sentimento de vivencia. 
Quem já ouviu o som "Filha do Sargento" sabe do que estou falando.

Minha mãe sentiu orgulho de mim
Contou pra geral que eu saí no jornal
Se surpreendeu que meu som de marginal

Me levou além das páginas policiais



No final de 2015, a mc e cantora mineira lançou o álbum "Anônima".

Muito ligada às questões raciais, Tamara fez logo conexão com as mulheres que realizaram algo significativo e não tiveram seu nome registrado na história dita “oficial”, como Aqualtune, rainha do Congo que liderou um exército na África e já no Brasil – como escrava – foi avó de Zumbi dos Palmares. “O meu som representa tantos outros anônimos que não têm espaço e voz para falar”, conta a rapper.

Anônima abre o disco e já surpreende de cara pelo som de pífanos. A base do sample foi feita da canção Baião destemperado, do CD Corpo do som (2002), do grupo paulista instrumental Barbatuques. O flow é certeiro e o beat convida à dança. Produzido por Easy CDA, da Xeque Mate Produções, o disco tem 11 faixas que mesclam as batidas clássicas do rap com reggae, samba, cânticos afros e até o som de pífanos. (Leia a matéria na integra)



Saiba mais sobre a Tamara Franklin:

A cantora e compositora mineira, Tamara Franklin nasceu e foi criada em Ribeirão da Neves e nas ruas de sua cidade aprendeu lições que são fonte de inspiração para fazer seu manifesto em arte, começando a compor seus primeiros versos com apenas oito anos de idade.

O primeiro conta da Tamara com a música foi através dos cultos de uma Igreja Batista, por issso, ainda hoje carrega em suas letras a fé que construiu durante essa época. O rap sempre foi uma das trilha sonoras mais frequentes na periferia, portanto o rap passou a fazer parte da vida da Tamara ainda muito cedo, quando ela ouvia o som alto dos vizinhos. Assim, ela compreendeu que os versos que escrevia poderiam ganhar voz.

As 14 anos, fundou um grupo que contava com o Dj Konja e sua irmã, Winy Franklin, na formação inicial (2005). H2s2 (Hip Hop Sobre o Salto) era caracterizado pelo forte discurso forte, sem que a feminilidade fosse ignorada. O figurino das Mc's contava com salto alto, vestido, maquiagem e acessórios que chamavam atenção por fugirem dos quadrado padrão masculinizado que se construiu como "estilo Hip Hop".

Em 2011, o grupo acabou após o falecimento de Thalita Franklin, também irmã da mc, que havia passado a integrar a formação após a saída de DJ Konja e Winy Franklin. 

A crise emocional provocada por essa fatalidade casou um hiato de dois anos na carreira de Tamara, período que se dedicou a trabalhos sociais em várias comunidades. E justamente o voluntariado que gerou um novo recomeço. Convicta de que a arte tem um forte impacto como instrumento de militância, Tamara deu inicio à sua carreira solo. Dessa vez, mais consistente e com ideais mais sólidos. E foi assim, que seu discurso cada vez mais vem ganhando força à medida que se posiciona enquanto mulher, negra e favelada trazendo à tona denúncias, discussões e protestos de empoderamento para essas "minorias", que na prática sempre foram maioria maioria. 

E mesmo tendo de bom grado assumido o posto de Anônima, parece não ter nascido para de fato permanecer no anonimato, conquistando cada vez mais destaque na cena em que atua.


Confira alguns sons da MC: