quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Kardinal Mc lanca o som “Ecos do Maiombe” part. Haudaz com produção do Madkutz.



A música “Ecos de Maiombe”, do rapper Kardinal MC, mostra a exclusão estrutural sofrida pelos moradores de Cabinda, enclave que pertence a Angola. Essa região é afastada do território de Angola e não só apenas no quesito geográfico, mas também no sentido político e econômico. Cabinda é uma região repleta de petróleo, diamante, ouro, madeira e minérios, mas recebe apenas alguns royalties do que produz. Com isso, a população dessa região, de cerca de 750 mil pessoas, clama pela independência.
Essa voz de revolta, porém, não é ouvida, pois existe uma arquitetura de exclusão intencionalmente planejada pelo governo angolano, para silenciar esse povo. Kardinal dá eco a essas vozes, em que os gritos por melhorias são diários. Dessa forma, o rapper mostra que enquanto o povo luta pela independência ou, pelo menos, por maior autonomia política, a resposta é dada em uma ditadura instalada pelo governo do MPLA e promessas vagas.
Kardinal também pede um basta na miséria e na exclusão. As reclamações de Kardinal abrangem a área da educação deficiente e os hospitais sem médicos. Ele ainda enfatiza a questão da história de Cabinda ter sido deturpada por colonizadores. Essa deturpação também jamais fora corrigida pelo MPLA, que opta pelo silenciamento da história, para que o povo cabindense não reforce o seu desejo de retorno a independência.
Kardinal MC aborda sobre a dizimação do povo originário. Alem disso, convoca as pessoas para continuar na luta, porque a vitória será certa.
Cabinda é uma região que também possui uma identidade independente de Angola no quesito cultural. Além de possuir língua própria, o fyote (também conhecido como ibinda), existem mais de dez ritmos musicais exclusivos do local.
Kardinal MC vangloria a importância de produzir um rap autêntico da região e garantir a expansão das vozes do povo local. O rap mantém um padrão de rima e certas características de batida, mas Kardinal MC consegue fazer um diálogo com o local, para que o seu rap ganhe uma autenticidade, através das expressões, das referências, do ritmo e do sentimento que ele deposita ao falar sobre Cabinda, sendo identificado em seu flow.

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