segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Nois ta de olho - Com forte discurso preto feminista, Preta Ary lança clipe novo


Preta Ary, é da região do Vale do Paraíba e faz parte do grupo D'origem e, assim como sua parceira de grupo, Preta Ary esta focada em sua carreira solo.
Nesta segunda (08/10), foi lançado o clipe "Nois ta de olho", clipe que conta com a produção de Stereo Tipo Produções (@stereotipoproducoes).

Sobre : Nois tá de olho

Essa letra quando criei quis mostrar a força feminina e quanto eu tomei pra mim esse chamado que o rap fez, quis mostrar que nós mulheres não fazemos rap por fazer, mas sim porque ele é nosso grito, nossa arma, nosso escudo, resgate e arrimo. Quis acariciar cada uma das minhas irmãs pretas e dizer pra elas que podemos tudo e, estamos juntas em luta contra o machismo, dentro e fora do rap. Que o medo já não nos segura mais e que estamos ligadas em cada injustiça que ocorre, estamos aqui pra cobrar, cada uma ao seu modo, mas todas para um só fim: "não passarão".





PretaAry

Preta Ary (Araraquara , 02 de novembro de 1986), é MC, Promotora Legal Popular, Artesã, proprietária da marca Negrita Arteira. Formou-se em Magistério pelo CEFAM e em Pedagogia pela IEVAP em Jacareí-SP. Em 2002, conheceu o Rap mais de perto frequentando festas do gênero onde se identificou com o elemento MC. Com influência das pessoas e do encanto pelo movimento Hip-Hop, em 2004 inicia sua carreira na música e torna essa cultura o seu estilo de vida. Dentre vários grupos da cidade de São José dos Campos, Preta Ary integrou o Comando 11 em 2007, S.A.F.A.R.I. em 2008, este último que teve seu EP “Muito Prazer” lançado em 2012 pelo Estúdio Pura Rua e produzido por Skeeter Beats com grande aceitação do público na cena nacional. Junto com Meire D’ Origem, é integrante do D’ Origem, grupo de rap feminino que vêm se destacando no cenário e, que lançou seu EP “Se Renda” em (2015) pelo Estúdio Pura Rua e produzido por Eduardo Dö e Skeeter. Com isso participou de músicas ao lado de nomes como Meire D’Origem, Tássia Reis, Lívia Mafrika, Pamelloza Carvalho, Amanda Negrasim, Seth MC, Lua Rodrigues, Dö MC, Léo Ice, DJ Simone Lasdenas dentre outros. A cultura Hip-Hop vem lhe trazendo grande aprendizado e experiência permitindo que participe de eventos locais e estaduais, mesas de debate, oficinas seguidas de bate papo, discutindo temas que vão além dos cinco elementos, tais como: “o diálogo sobre gênero e raça”, “a importância da valorização da mulher negra e as peculiaridades sobre sua saúde”, “feminismo negro”, dentre outros. Somado a isso, sua formação e vivência na área da educação lhe fez perceber como o racismo é inserido de forma sutil e o quanto a questão racial não é discutida e não trabalhada com crianças, fundando em 2014, com o instuito com o intuito de discutir a representatividade negra para crianças, a marca “Negrita Arteira”, atuante na confecção de bonecas negras promovendo o empoderamento das crianças na afirmação de sua identidade, oferecendo oficinas de confecção de bonecas para as crianças e diálogos sobre identidade e representatividade.

Em 2013, lançou o single “Nossas Garotas” produzido por Esquina da Gentil, finalizado no Estúdio Pura Rua, expondo sua preocupação sobre o tráfico de meninas e mulheres para exploração sexual, a música retrata essa prática e protesta contra a cruel realidade delas. A aceitação do single pelo público gerou uma versão remix produzida por Ricardo Móck e lançada em 2016 pelo estúdio Quebrada Groove na série “Quebrada Groove Convida” no YouTube. Foi capa na “Revista Mina” ao lado de sua parceira Meire, para um trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da faculdade Univap Urbanova (SJC). A revista aborda temas do público feminino e traz uma matéria exclusiva sobre o D’Origem, suas experiências e aspirações. Com o D’Origem, participou dos fóruns Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop (2010 à 2016), Hip Hop Mulher (2009), Hip Hop Prevenção (2010), Flores e Valores (2016), eventos literários como Sarau do Vale nos Sescs Taubaté e no Sesc São José dos Campos, ao lado de Elisa Lucinda e Roberta Estrela D'Alva (2016 e 2017) e FLIM (2016 e 2017) ao lado de Sérgio Vaz, Ana Maria Gonçalves e Laerte.

Promove bate papos em escolas com o propósito de trabalhar a lei 10.639/03 que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas redes públicas e particulares da educação. Seu grupo D'Origem tem forte discussão sobre o que é ser mulher, ser negra e atuar no Hip-Hop, um movimento ainda tão machista, o grupo problematiza essa questão de diversas formas, dentre elas, lançou as camisetas D’Origem contendo a frase: “Faço Rap na Caneta ou no Batom” frase essa de autoria e interpretação de Preta Ary na música “D’Origem Africana” do EP “Se Renda” que contempla muitas mulheres não só do Rap, mas do Hip-Hop em si, fazendo alusão ao batom que é algo tão usado por mulheres, segundo Preta Ary “o significado da frase vai muito além e, mostra que as mulheres fazem Rap independente dos recursos e oportunidades, pois a frase diz: "O que eu quero é progressão, mas o que eu vejo é regressão, comigo não, eu faço rap na caneta ou no batom”. Iniciando uma nova fase em sua carreira, Preta Ary lançou no último dia vinte e sete de agosto seu primeiro single com participações de Ju Dorotéa e Killa Bi intitulado " Ta no Jogo" som que caiu no gosto de muitos e que, segundo seus ouvintes, veio pra dizer muitas verdades. Ela também acaba de ser convidada para compor o time de Mulheres Negras do rap que homenageiam mulheres ícones do samba, projeto esse da Zandara produções.

Com o intuito de lançar novos trabalhos solo e em parcerias, continuar percorrendo o Brasil com sua música, oficinas e diálogos, fortalecer sua marca Negrita Arteira para chegar a mais lugares e a mais crianças e adultos, e compartilhar de suas vivências por onde passar. O que se pode esperar é que muita coisa boa está reservada pra quem ama rap de protesto e todas as possibilidades que a música nos dá. Trabalhando em seu EP, intitulado " Por nós" mas ainda sem data de lançamento, a MC vem conquistando seu espaço e evidenciando o fato de que cada vez mais as mulheres estão cantando Rap, quebrando tabus e preconceitos dentro e fora da cultura Hip-Hop. Essa é a prova de que as minas tem força e fazem acontecer.