terça-feira, 2 de outubro de 2018

Vera Veronika denuncia a chacina da juventude negra em novo clipe, “Genocídios”


Faixa traz participação de Nego Dé, Thiago Jamelão, DJ Chokolaty, Flavia Nascimento e Junior Cabelera

A rapper brasiliense Vera Veronika sempre usou sua música como plataforma para discutir a invisibilidade social. No novo clipe, “Genocídios”, não poderia ser diferente. Criado em animação, o vídeo traz à tona a realidade dos brasileiros que vivem à margem da sociedade e são eliminados sem consequências. A produção também funciona com um lyric video e, como em todos os lançamentos recentes de Vera Veronika, oferece a deficientes auditivos a interpretação em linguagem de sinais, feita por Babi Barbosa.

Assista a “Genocídios”: https://youtu.be/N-anr2mRI4U

A música marca presença no DVD “Vera Veronika 25 anos”, lançado em junho em formato físico e em julho digitalmente, mas aparece em versão de estúdio pela primeira vez. Nessa gravação, a artista recebeu a participação especial de Nego Dé, Thiago Jamelão (no refrão), de Flávia Nascimento, com sua gaita e de Junior Cabelera na guitarra.

Na letra, Vera Veronika aborda a morte sistemática de jovens negros no Brasil, uma realidade estampada nos jornais do país e internacionalmente.

“O racismo dói, silencia e apaga nosso povo negro da história, e vem diariamente denunciando o assombroso aumento do número de homicídios da nossa juventude negra e periférica. A música ‘Genocídios’ traz à tona a existência de uma chacina em que a maioria das vítimas são homens, mulheres, transexuais, crianças, jovens, adultos e idosos negros e negras… são moradores de periferias, moradores de centros urbanos, moradores de rua. A música mostra a indiferença social e econômica do país, onde quem está morrendo é o outro, aquele que não tem voz e que está em situação vulnerável”, reflete Vera.

Rapper, compositora, mantenedora de abrigo infantil, pedagoga, empreendedora e consultora nas causas de Direitos Humanos, Vera Verônika sempre foi muitas mulheres. Uma das pioneiras no rap nacional e primeira rapper feminina do Distrito Federal, Vera encontrou na cultura do hip hop a força necessária para lutar contra tudo o que parecia injusto. O novo vídeo, que tem direção, animação e edição de Marco Lellis, se une ao recém-lançado “Reciclando Sonhos”, ao álbum “Afrolatinas” e ao clipe “Soul Negra, Soul Livre” (com Ellen Oléria e Hope Clayburn), todos importantes declarações sobre racismo e machismo.

Veja “Reciclando Sonhos”: https://youtu.be/0GafibLSxRw

“O rap significa revolução através da palavra e tento ecoar em busca de mudanças”, explica Vera.

Essa postura e política se reflete no conteúdo do DVD “Vera Veronika 25 anos”. Com forte valorização da cultura negra e do hip hop como um todo, o projeto conta com com um show com 14 faixas e 11 clipes, que reúnem um total de 215 artistas envolvidos.

Assista a “Genocídios”: https://youtu.be/N-anr2mRI4U
Assista ao DVD completo: https://youtu.be/YLBIspkJVbI

Ficha técnica:
Letra: Vera Veronika, Nego DÉ, Thiago Jamelão
Produção Musical: Higo Melo
Arranjos: Higo Melo
Gravada nos Estúdios (Qistudio- DF)
Participações: NEGO DÉ, Thiago Jamelão, Junior Cabelera e Flavia Nascimento
Produção Musical: Higo Melo
Direção, Animação e Edição: Marco Lellis
Roteiro e Direção: Vera Verônika e Marco Lellis
Mixagem e Masterização: Higo Melo
Locação: OZZI – Escola de Áudio Visual
Intérprete voluntária de Língua Brasileira de Sinais: Babi Barbosa
Genocídios - Letra
Por Vera Veronika, Nego DÉ, Thiago Jamelão

A morte sistemática que estampam capas
Realidade injusta causa noticiada
Sumiço misterioso aumento de casos assombroso
Genocídio atribuído ao extermínio de um povo
Graves lesões aliadas a condições de existência
Medidas tomadas pra executar pela aparência
Mais de 20.000 por ano e os casos aumentam mais
Números absurdos em tempos de paz
O Estado brasileiro intencionalmente se omite
Autos de resistência na quebrada persiste
Sombras no olhar cresce o ódio entre os nossos
Razões pra lutar, já tá mais que óbvio
Elite eurocentrista, negligente e racista
Concentra toda a renda e exclui a maioria
O 13 de maio não aboliu seus preconceitos
No dia seguinte de porta pra fora da força interna sobrevivemos

REFRÃO
Pra viver
De sol a sol,
Suor
Pra viver
Dez vezes melhor
O giz ou o fuzil
Quem foi que decidiu
Que pra morrer
Basta minha cor ?

A cada dez jovens mortos sete são negros no Brasil
Suspeito de cor padrão na pátria mãe gentil
Pena de morte imposta aniquilação seletiva
Iniciativa pelo fim da juventude viva
Discurso vazio advindo do executivo
Aos mais vulneráveis nenhum foco político
Inclusão social e ações afirmativas
Versus meritocracia práticas repressivas
Sem dúvidas processo de exclusão eficaz
Aos mais vulneráveis potenciais marginais
Genocídio é simbólico a CPI concluiu
Pretos e pretas meros símbolos sangrando no fuzil
Num cenário de execução não se planeja a vida
Seu caso não comove não interessa à mídia
E a treta qualquer hora vai bater na sua porta
Reaja ou será morto reja ou será morta

REFRÃO
REFRÃO
Pra viver
De sol a sol,
Suor
Pra viver
Dez vezes melhor
O giz ou o fuzil
Quem foi que decidiu
Que pra morrer
Basta minha cor?

Viver, 3x

Racismo institucional no mapa da violência
Execuções sumárias quase sempre vítimas pretas
A desigualdade não é só social
É sistêmica e cultural étnico racial
Homicídios entre nós naturais banais
Violações de direitos julgamentos marginais
A agenda do governo ignora com intenção
Nenhum compromisso com a reparação

REFRÃO
Pra viver
De sol a sol,
Suor
Pra viver
Dez vezes melhor
O giz ou o fuzil
Quem foi que decidiu
Que pra morrer
Basta minha cor ?