quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Entre amores e frustrações, Alã foge do padrão e impõe novas sonoridades em álbum de estreia






Ousadia e curiosidade são fundamentais na carreira de um artista. Junte esses ingredientes e o resultado é o álbum A Lã (Vol.1), um caldeirão de experiências sonoras que instiga os ouvintes mais exigentes.

O músico é um dos que tenta inserir o EmoTrap/SadTrap no Brasil, subgênero ainda com poucos representantes no país. As letras emotivas e instrumentais melancólicos criam uma atmosfera depressiva, que imediatamente capturam o ouvinte e trazem rápida identificação por parte dos fãs, cada vez mais propenso a sofrer destes males.

O disco, que brinca com o primeiro nome de Alã Perez Alvez, é o reflexo de um jovem com pensamentos fora da caixa e busca constantemente por inovações. O gosto pelas novidades criou uma característica experimental em seus sons, influenciados principalmente por estrelas internacionais, como Muse, Twenty One Pilots, Radiohead, Los Hermanos, Lil Peep e Artic Monkeys. Longe do lugar comum, o projeto mostra que lo-fi não é sinônimo de mal feito.

“Sempre gostei de experimentar nas músicas, trazer elementos de diversos estilos que eu escuto. Acredito que o rap seja um dos gêneros musicais mais abertos a influências de outros, então eu já tinha essa visão”, afirma o rapper.

Alã também assina a produção musical do disco, assim como a mixagem e a masterização, junto a Kalebe Hartmann e Ricardo Ribeiro, que também o acompanham durante os shows. O projeto inclui videoclipes como o de “Bailes e Boates”, com previsão de lançamento para 12 de dezembro e “Groove das Caixas” lançado na semana passada, onde o rapper aparece em um supermercado e compra o pouco que pode, numa clara sátira á ostentação vivida no mundo do rap. O disco, que tem arte feita por Gábe, é um lançamento do selo Cactu.

“A ideia é fazer clipes para todas as canções, de forma que elas dialoguem entre si. Em breve essa conexão vai ficar bem explícita”, conta o cantor.

Obstinado, é um artista que pensa em trabalho a todo momento. Cada detalhe é analisado para potencializar sua performance. Desde a produção das músicas até os bastidores e a situação atual do mercado fonográfico. Nada fica fora do radar. A confiança nos colegas também é um dos trunfos usados por ele, que garante total liberdade criativa aos parceiros.

“A partir do momento em que eu acordo, trabalho com música o dia todo. Minha vida se resume a produzir e escutar música, tentar entender o mercado, os artistas, a música em si. Essa sede de conhecimento, as experiências, tudo isso é o que me motiva. Em relação à minha evolução, está diretamente relacionada ao fato de eu dedicar boa parte dos meus dias a isso, conhecer gente nova e trabalhar com elas sempre me ensina muita coisa”.

Alã começou a se interessar pelo rap aos 10 anos e em 2013 lançou seu primeiro EP, o qual foi regravado, intitulado “Carnal”. Nos cinco anos seguintes participou de uma banda de rock alternativo e quando o grupo se desfez voltou a rimar para dedicar-se à carreira solo. Também lançou a mixtape Molho 7 com Matheus Coringa e Gábe, além do EP “Mostardas”, produzido ao lado de Arit e com participação de nomes como Zudizilla e Ganti. 

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