sexta-feira, 2 de novembro de 2018

LP Hip Hop Cultura de Rua comemora 30 anos de história


Texto: Jefferson F. Wesolowski

Hoje, dia 02 de novembro, o disco Hip Hop Cultura de Rua completa 30 anos, desde seu lançamento pela gravadora Eldorado em 1988. Considerado o primeiro LP de Hip Hop do Brasil, a coletânea reuniu os grupos O credo, Código 13, MC Jack & DJ Ninja e Thaide & DJ Hum.

O título de primeiro LP de Hip Hop do país gera polemica, mas o álbum leva essa alcunha devido a juntar os quatro elementos da cultura, já que os integrantes dos grupos, além de MC’s e DJ’s, também eram grafiteiros e b.boys. A coletânea conseguiu reunir as principais crews de hip hop de São Paulo, a Back Spin, Crazy Crew, Nação Zulu e Street Warriors, que rivalizam na estação São Bento, nas rodas de break.

O disco foi idealizado com duas faixas de cada artista, com MC Jack & DJ Ninja com “Centro da Cidade” e “Calafrio (Melô do Terror)”, o grupo O Credo chegou com a música que leva o nome do grupo e “Deus da Visão Cega”, já Thaide & DJ Hum apresentaram “Corpo Fechado” e “Homens da Lei”, enquanto o Código 13 trouxe as faixas “Código 13, o Tema” e “Gritos do Silêncio”.

Outro fato interessante a respeito desse disco é sobre as produções, que também reuniu um time bem diversificado e esforçado, já que ninguém entendia muito bem o que era uma produção de rap. As músicas de Thaide & DJ Hum foram produzidos pelos roqueiros da banda Irá! o vocalista Nasí (Marcos Valadão) e o baterista André Jung. MC Jack e o Código 13 tiveram produção de Dudu Marote, que anos depois produziu a banda Skank, e é importante ressaltar que o Código 13 teve a participação das guitarras de André Abujamra, e mais tarde passou a contar com instrumentos orgânicos em sua formação, funcionando como uma banda com baixo, guitarra, bateria e DJ. Por fim, o grupo O Credo teve produção de Akira S, que já trabalhava com música eletrônica e tem formação em contrabaixo, e integrava a banda “As Garotas que Erram”


O disco Hip Hop Cultura de Rua assume uma importância para o rap nacional não só pelo fato de ser o primeiro LP, ou por fazer parte da fase inicial, mas por mostrar um amadurecimento em termos de letras e produção. Os primeiros raps feitos no Brasil eram ingênuos e festivos, não tinham o discurso contundente de protesto e denúncia, como ficou caracterizado nos anos 90. A partir do Hip Hop Cultura de Rua, com letras como “Homens da Lei”, que falava sobre repressão policial, que inclusive gerou problemas para & Dj Hum, ou “Corpo Fechado”, também da dupla, e “Gritos do Silêncio”, do Código 13, que falavam sobre afirmação de jovens periféricos. Assim como O Credo e MC Jack abordavam comportamento, filosofia e sociedade, mostrando a cara daquela geração, que não só gostavam de bailes e festas, mas também demonstravam preocupações com questões sociais.

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