sexta-feira, 5 de abril de 2019

#ReferenciAna - Se Eu Morresse Hoje/O.N.F.K., os novos singles de Amiri!

Mais um #ReferênciAna, aquela seção do NP, onde você encontra algumas de minhas percepções e discussões sobre linhas de músicas que de alguma forma eu me senti bem em ouvir.


Em seu primeiro lançamento de 2019, Amiri apresentou um double single de faixas que farão parte de seu próximo álbum, com lançamento previsto para esse semestre (para nossa alegria). As músicas se chamam "Se Eu Morresse Hoje" e "O.N.F.K." que significa "ODO NNIEW FIE KWAN". A mensagem do double "Se Eu Morresse Hoje/O.N.F.K." é sobre medo e é sobre amor. É sobre o medo te aprisionar, mas o auto amor libertar.


O som tem Deryck Cabrera na gravação, produção e mixagem, masterização por Luiz Café, e voz adicional de Lilly B. Vamos lá, vou discutir sobre as linhas, lembrando que são minhas percepções como ouvinte, pode não ser a intenção real do rapper. Vocês podem conferir as letras completas dos sons no comentário do som no YouTube aqui, enquanto ouvem aos sons abaixo.





Antes de começar a escrever qualquer coisa, precisei de alguns vários minutos pra me recuperar, e durante a escrita certamente vou parar várias vezes pra chorar. Agradeço ao Amiri por compartilhar isso com o mundo. Ontem mesmo escrevi sobre artistas tão gigantes que conseguem propor sua arte ao mundo, com suas dores e defeitos, pra que outras pessoas se sintam também contempladas e fortes o suficiente pra enfrentar qualquer coisa. 



Quando damos play, é meio confuso sobre o que se trata o som "Se eu morresse hoje". Mas quando chega na metade, na troca de beat, temos a certeza sobre o que se trata, e voltando ao início, foi impossível segurar as lágrimas em todas as vezes que ouvi pra escrever esse texto.



A depressão é uma doença, que provoca severas mudanças em como a vida é sentida e percebida. Fisiologicamente, a depressão é um desequilíbrio no cérebro, mas ao contrário de outras doenças, ela não pode ser curada apenas com medicamentos, já que ela não é diretamente causada por fatores biológicos, mas é uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Segundo Rubens Pitliuk, coordenador da equipe de Psiquiatria do Hospital Albert Einstein, nosso cérebro é formado por células, os neurônios, que se comunicam por meio de substâncias chamadas neurotransmissores. Quando uma pessoa está em depressão, alguns neurotransmissores, por algum motivo, não circulam como deveriam. As causas são diversas, como predisposição genética, personalidade melancólica, vivência de situações desgastantes ou traumáticas, abuso de drogas ou álcool e algumas doenças cerebrais.




Quase sempre, a doença começa devido a algum problema externo, e com o tempo vai se tornando física. Seus sintomas mais comuns são desânimo, insônia, apatia, falta de apetite e de desejo sexual e indisposição até mesmo para coisas simples, como tomar banho, ver televisão ou ler um jornal. Durante a crise, o paciente tem pensamentos pessimistas e obsessivos e perde o interesse por coisas que gostava de fazer ou por pessoas com as quais gostava de conviver. É difícil concentrar-se em uma leitura ou guardar na memória o que lê.

Segundo matéria de agosto de 2018, um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde analisou como anda a saúde mental no globo, e o Brasil é o país mais deprimido e ansioso da América Latina. Nos últimos dez anos o número de pessoas com depressão aumentou 18,4%, isso corresponde a 322 milhões de indivíduos, ou 4,4% da população da Terra. No Brasil, 5,8% dos habitantes – a maior taxa do continente latino-americano – sofrem com o problema. 

A professora Alline Campos, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, explica como diferenciar o estresse, a depressão e a ansiedade. “Estresse é uma coisa que vivemos e estamos expostos a todo tempo; a ansiedade é uma doença grave relacionada com o futuro, a pessoa sempre sente receio em tudo o que vai fazer. Já a depressão está relacionada ao passado, algo que é um peso; a pessoa se sente deprimida, incapaz de expressar seu sentimento e com medo de lidar com certas situações”. Veja a entrevista aqui.

Com toda certeza do mundo, você já deve ter de deparado com alguém que apresenta algum desses sintomas. Nem sempre é depressão, pode ser apenas um estado depressivo, ou um momento triste. Depressão é uma doença, precisa ser encarada como tal, não deve ser romantizada, muito menos tratada como frescura. Se você está se sentindo triste, você não necessariamente tem depressão, mas quantas vezes você já procurou ajuda profissional pra identificar isso? O diagnóstico é importante para o tratamento, e o entendimento de profissionais pode nos ajudar. 

Tive alguns episódios depressivos, e combinados com a ansiedade, por muitas vezes me fizeram me sentir dentro desse monstro. Não fui diagnosticada, mas me cuidei de outras formas, e não digo que estou curada de nada, porém levar cada dia como sendo uma vitória, e entender isso, é importante pra que a gente se sinta bem. Eu perdi muitas pessoas pra depressão, entre amigos próximos e conhecidos. Foram ao menos 4 pessoas bem próximas que acompanhei. Ponto importante, que dentre as 4, todas eram negras, e todas não estavam em tratamento. Isso é bem sintomático. “Apesar de a depressão atingir sujeitos de todas as idades, classes e etnias, o risco se torna maior na presença de pobreza, desemprego, morte de um ente querido, ruptura de relacionamento, doenças e uso de álcool e de drogas”, atesta o relatório da OMS. (Confira na íntegra aqui).

Apesar de não escolher o perfil da pessoa, é certo que nós negros temos algumas especificidades que quando colocadas a mesa, faz a gente pensar viver em um sentimento de banzo eterno. 3 desses 4 amigos, eram homens, o que é mais sintomático ainda! A máscara violenta de um modelo de masculinidade imposta sobre homens negros, acompanhada de pensamentos como "um negão desse tamanho chorando", também diz muito sobre isso. Somos imensidão em nossas existências, e qualquer coisa que tente nos dizer o contrário é preciso ficar atento. Mas isso não é uma palestra sobre auto estima, é um alerta pra um auto cuidado necessário, pra que nós fiquemos atentos as e aos nossos. Somos submetidos a micro e macro violências todos os dias, as vezes macro até demais, e tudo isso tem interferência em nossa saúde mental e física

Em 2018, o DAGEP (Departamento de Apoio à Gestão Participativa e ao Controle Social do Ministério da Saúde) apresentou dados oficiais do Sistema de Informação de Mortalidade do Governo Federal, que apontam o aumento do índice de óbitos de jovens por suicídio. A cada 10 suicídios envolvendo adolescentes e jovens seis ocorreram em negros. No sexo feminino, o risco de suicídio nas adolescentes e jovens negras foi até 36% maior do que nas brancas. Entre os homens, o perigo é ainda maior de até 50% maior do que nos brancos.

Dito tudo isso, e nos atentando a algumas passagens da primeira parte do double single, é possível identificar que Amiri trata sobre depressão. Creio que seja exatamente o que esses dois sons nos traz, uma parte relata a existência já doente, e a segunda parte ele vem nos mostrar que podemos. Vamos discutir um pouco sobre as linhas abaixo. 

As primeiras linhas são auto explicativas, elas dizem como a pessoa se sente, a sensação de ser tudo tão gigante e inseguro, o abismo, sem chão nos remete a isso. Em seguida, "E o estado dessa fita tá avançado, e eu tô cansado de ficar cansado, vi coisas que cê ia correr se cê visse, eu não acho que eu vá morrer de velhice". Nesse momento ele traz o sintoma do cansaço físico, causado pela doença, e também o sintoma das alucinações e delírios, causados num episódio de depressão mais profunda, avançada, que chamamos de depressão psicótica. Essas alucinações geralmente vem acompanhadas de tendências maiores ao suicídio, por isso ele termina dizendo que não vai morrer de velhice, sugerindo que morreria antes.

Cena do filme O sexto sentido.
Na cena principal de O SEXTO SENTIDO, há o diálogo entre o menino Cole (Halley Joel Osment) e seu psiquiatra Malcolm (Bruce Willis), momento que entrou para a história do cinema porque Cole, revela ao psicólogo que ele vê pessoas mortas andando por aí. Quando Amiri inverte a sequência da frase em "Iriam trancar as portas se cê perguntar, com que frequência gente morta me vê", ele parece dizer que se as pessoas próximas percebessem quantas vezes as pessoas pensam em suicídio, iriam trancar as portas no sentido de impedir que isso acontecesse.

Na sequência, "É um mar de gente? Nada, são ondas", se fizermos um diálogo com o som Mar de gente do Rappa, tem uma frase que diz "Uma onda segue a outra, assim o mar olha pro mundo". As ondas do mar se formam principalmente a partir do sopro do vento na superfície do mar. O vento bate na água e causa uma ondulação. Podemos interpretar que Amiri quis expressar que não existe uma multidão de pessoas diversas e com diversas especifidades, mas que as pessoas estão seguindo as outras, sem direção, sem nada mais, apenas seguindo.  

A sequência é marcada pela descrição da sensação de melancolia imposta pela depressão, a madrugada longa, as coisas que amamos perdendo sentido, os pensamentos suicidas.

Seguindo, ele menciona um trecho do som Jesus Chorou, do Racionais. Jesus Chorou, "Cadê meu sorriso? Onde tá? É, quem roubou?". A letra da música é bem extensa e aborda diversas situações diferentes, na longa narrativa. A canção possui um tema central de tristeza e a angústia contado na música toda. A referência bíblica aparece junto com o verso que dá nome à canção, vem quando Brown canta que até Jesus chora diante da maldade da humanidade, mesmo sendo filho de Deus, porque então ele não poderia chorar, porque então diante de toda a narrativa ele não poderia ficar triste? Quando Amiri menciona o trecho, além da referência óbvia, parece um dos muitos diálogos que nós fazemos com nós mesmos, tentando entender o que aconteceu, o porque de estarmos nos sentindo assim.




Thomas Azier é um cantor e músico holandês de música pop. No seu som Talk To Me, do álbum Rouge, sua música é conhecida como música pop eletrônica obscura, que trazem temas como solidão, depressão e sofrimento como fonte de inspiração. Thomas em uma entrevista dá uma visão do que o impulsiona como artista e como ser humano. "Quando você está sozinho, você se confronta com as profundezas do seu ser. Você vê seus medos. Eles estão apenas deitados lá, no fundo de você. Uma maneira de lidar com esses medos é escrevendo sobre isso", confira na íntegra.  Quando Amiri se questiona sobre se jogar, também relata seu otimismo em coma, e cita "Não, eu tô me sentindo bem ... Thomas!", ele parece dizer que está se sentindo como Thomas, provavelmente na criação como um todo, na solidão entre outras coisas. O som acima, Talk To Mefala um pouco sobre essa melancolia. 

Quando se chega ao refrão, precisei dar outra pausa pra chorar mais. Porra, bateu fortão! Não é um som melancólico, pelo contrário, ele nos enche de vida, parece nos ajudar a fazer uma visita guiada para o que enfrentamos, olhar pro corpo do vilão caído no cantinho do cérebro, e se sentir vivo! É um sentimento bom pra caralho, choro de saudade, e também por lembrar que por muito tempo (até hoje, mas bem menos que antes), levei e carreguei um peso enorme de culpa pelas mortes próximas. É triste pra caralho o sentimento de uma vida escorrendo pelas nossas mãos, e é também necessário que nossa mão esteja ali pra segurar firme as pessoas que amamos. Mas também é importante pensar que o sofrimento psicológico de uma pessoa depressiva é gigante, e que não é humanamente possível que tentemos curar alguém sozinhos. Por muito tempo, todos os dias eu pedia perdão aos meus amigos, por talvez ter falhado com eles, e por amor a todos eles, fui buscar mais, me informar, tentar saber como funciona, como identificar e como ajudar. Não tem como olharmos pra trás, e dizer que o que passou, passou, mas fica doloroso olhar pro futuro sem parar de nos culparmos. Esse refrão fala tanto, grita tanto, e porraaaaa, que a gente consiga enxergar mais, não só olhar, ENXERGAR as pessoas.
"Se eu te disser o que eu senti: medo, medo de não ser feliz, feliz, quando eu não tive fé, eu desisti, tão cedo, cedo, que nem vi o bem que eu fiz, que eu fiz!" 



A partir desse momento, o som começa a ficar sufocante, talvez pra mostrar o quão grave estava se sentindo a pessoa da música. Essa segunda parte parece evidenciar os pensamentos suicidas, as vozes, as visões, o pensamento confuso, e tudo mais que enche de angústia e medo. 


Porra, "Sintomas que nem a Emely, Sara - Genson!", gastei mais de 2 horas pesquisando, e não achei uma explicação que me convencesse, me ajudem aí porque encerrei a busca falando 'não consegue né Moisés', igual o Silvio Santos. 

Seguindo, o artista questiona a visão do futuro, as coisas que não consegue projetar por conta da depressão. Mencionando o futuro incerto, e a visão atrofiada sobre o que virá, ele começa a relatar o que a mente da pesosa diz nesses momentos. "Cara, olha pra tua vida desiste, se esse Deus existe ele quer te ver triste, pega a gilete, vai se corta, foda se, essa vida anda bem mais que torta. Eles não eram 'Playstation, baralho' ais de copa? Agora junta teus milho e faz pipoca!", Amiri refere-se ao seu próprio som, Licença Aqui (Cheguei), do EP Êta Porra!, onde um dos versos diz "Deu play eu sei eles são só Playstation, baralho, cêis são Sessão da Tarde eu sou Blaxploitation caralho!".  Ao meu entender, é um relato da própria mente colocando em cheque o que ele fazia, retomando o refrão, ele não conseguia ver o bem que fez. Quando a mente o questiona o próprio verso destinado as pessoas do Hip Hop que não eram rua, mas simulação (Playstation), coloca em seguida em tom de desmerecimento pra si próprio, junta teus vacilo aí, que são numerosos a ponto de fazer pipoca.    

A sequência dos versos, parece algo mais pessoal. Primeiro, "Mas você não fez por onde merecer, nada além de se ver ligando pro CVV!",  o CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias.


Voltando um pouco na letra, ele parece relatar um abandono, quando diz "mas a gente se deu as costas, não deu mãos". Em seguida, ele toma sua decisão final, 'one-on-one' é uma espécie de reunião periódica entre um gestor e seu liderado, um e um, e quando ele diz que ou chamava o mundo pra um one on one, ele tá querendo dizer que ou enfrenta, e põe as coisas em ordem. Ou deixa "A change is Gonna Come" no repeat. O som de Sam Cooke, relata uma despedida melancólica. Um verso diz, "Then I go to my brother, and I say "brother, help me please", but he winds up knocking me", que basicamente diz que o cantor procura alguém, um irmão, e pede ajuda, mas a pessoa chuta ele, bate nele, algo do tipo. Retomando mais uma vez a ideia do abandono, ou ainda indiferença para com ele, tanto que ele retoma antes do fim, "Vão ver que eu tava falando sério em tudo o que eu disse se eu morrer hoje..."



O fim do som, Amiri declama uma possível carta que ele escreveu pra se despedir. Deixei na íntegra, porque é essencial, a identificação é muito forte, e mais uma vez parece que ele canta chamando a gente pra pensar sobre nós, pra termos auto cuidado, pra porra, olharmos pra nós. 



"Dessa vida, quando eu me for, eu levo o verde como predileta, árvores como amigas, o coração de um filho que quis muito ser pai. África em tudo que sinto. A voz de alguma luta. Eu fui medo e coragem num pote só. Eu tô cego pro sol, mesmo ao meio dia. Otimismo virou criptonita... Perdido de novo, mas dessa vez eu desistir de me encontrar... Felicidade é uma chance que não mereço. Não chore minha ida, não sinta pena, deixa a verdade cumprir seu papel... Eu desisto de existir. Que Deus me perdoe, que o amor me perdoe, que Seu amor me leve de volta pra casa... Meu melhor é invisível. Tudo o que tive é o que senti. Nada corrompeu meu coração. Eu tô cansado, e cansado de ficar cansado ... Não me sinto cabendo nesse plano, minha existência quer fugir dele. A Marisa Monte tava certa: 'Ei de ser feliz também ... depois' ... dessa vida." 


Caraca, em pensar que ele escreveu essa carta pensando em se despedir ... 



O SEGUNDO SINGLE, DA VONTADE DE ESCREVER TODINHO EM CAPS LOCKO, E PARECER QUE EU TÔ GRITANDO PRO MUNDO, MAS VOU ME CONTROLAR!

O.N.F.K., ODO NNIEW FIE KWAN, sabedoria da África Ocidental, a simbologia adinkra, são símbolos que representam provérbios e aforismos. A simbologia adinkra dos Axantes, de Gana, ODO NNIEW FIE KWAN tem como tradução O amor ilumina seu próprio caminho, nunca erra o caminho de casa. Ou seja, com amor podemos, chegamos.



DESCULPA, MAS NÃO TEM COMO NÃO FALAR EM CAIXA ALTA, ISSO É MUITO GIGANTE CARA! 


"Por mim e pelos pretxs eu voltei, pelos corações que toquei
E dessa vez eu fico, ok?"
,
 quando Amiri se afastou pra cuidar de si, 100% dos fãs de Rap nacional se sentiram com aquela sensação de responsabilidade sobre a parada, com aquele sentimento de "não porra, pera aí, vamo pensar nisso aí". Lembro que quando noticiamos em 2016 a postagem dele, o Hebreu relatou "toda vez que ouço o Amiri fico bolado na técnica de flow e rima, a métrica dele é foda, e eu pensei carai o Amiri ta sumido", é tipo, essa preocupação, mesmo distante de torcer, e emanar boas energias pra que ele ficasse bem. Quando ele usa O.N.F.K pra dar título ao single, e relata que pelos corações ele volta, é um pouco disso. Esse amor projetado pelos fãs, ou meramente por quem admira sua arte, foi capaz de auxiliar nesse caminho de volta, de iluminar. Na entrevista pro Programa Freestyle, Amiri diz em determinado momento: "as vezes você tá em cima do palco, cuidando de tanta energia, de tanta gente ... você se expressar, você vai cuidar das pessoas que tem um apreço por arte". E é isso que ele relata nesse começo, esse cuidado. 


Passando pro refrão do segundo single, Amiri exalta sua vitória, sua luta. 

"Me diz quem lutou? - Eu! 
Esse tempo todo? Eu!
Confiança na rima: Confere!
Potência acima: Confere!
Vitória, eu piro na tua!"

Seguindo pro verso, "Mano, eu tô tão bem, minha aLto estima é com L!", a palavra auto é um prefixo grego com significado de si mesmo, si próprio.  A palavra alto tem sua origem na palavra em latim altus, e refere-se a alguém ou alguma coisa elevada, grande, erguida, forte, superior, imensa, excessiva. Sendo assim, ele não tá falando da sua auto estima, que pode ter variações pra baixa ou alta, ela é alta sempre, é superior, imensa!



O verso, “Oro mi ma, oro mi mayo, oro mi mayo yabado ye ye ô", a canção em yourubá, tem como tradução “Deus é o mar. Deus é o maior! Deus é o maior e me ajudou a vencer!”, falando um pouco da gratidão de Amiri com o sagrado, com a fé. 

Outro verso lindo, é "Mas eu caí no sono de novo e acordei rodeado de vencedores ... era um quarto forrado de espelhos!". E por fim, ele exalta sua grandeza, quando diz que faz o Everest, a montanha de maior altitude da Terra, ser um degrau. 

De fato, Amiri é gigante, e nas diversas pesquisas que fiz pra poder escrever isso, só consolidei isso. Obrigada por isso. Essas duas músicas, e o som "Onde morrem os elefantes?" do Marcello Gugu, foram as músicas mais lindas que ouvi esse ano. Obrigada Hip Hop por me abraçar sempre, obrigada aos artistas que dividem seu eu com o mundo. 


Bom, é isso, minhas percepções como ouvinte de algumas referências utilizadas, pode não condizer com a intenção do autor. Abraços! Desculpa os excessos, é impossível falar disso tudo de forma simples.


PS: Não tem como não se sentir viva depois de tudo isso, momentos:



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