quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Artigo | O rappers da nova escola (maioria) não oferecem novas perspectivas a juventude


IMAGEM MERAMENTE ILUSTRATIVA
Por: Carylson Alberto (Angolano)

Saudações e máximo respeito a todos Hiphoppas.
Há quase um ano, eu fiz um texto com o título "Os Emcees (na sua maioria) não representam a cultura Hip Hop" onde muito abordei sobre o compromisso social que o Emcee deve ter com a comunidade e também afirmei de que muitos emcees conceituados ou não, não conhecem o que é realmente a cultura HIP HOP. É de fato preocupante isto, acreditem, devemos analisar e arranjar uma forma de comunicar aos mais novos e aos mais velhos (que não sabem) sobre os princípios da cultura Hip Hop e para que serve. 

A título de exemplo, no programa 2 contra 1, no debate, tiveram como convidados 2 rappers da nova escola conhecidos por Lil Boy (Young Family) e Uami Ndongadas com o tema "A Visão da Nova Escola Sobre o Hip Hop angolano", desde já, uma crítica ao programa, os convidados não falaram sobre a cultura HIP HOP, falaram sobre Rap, porque uma coisa é falar sobre O Rap angolano, outra coisa é falar sobre Hip Hop Angolano (Cultura). O que eu vi no programa foi debate de Rap (música da Cultura Hip Hop), e mais uma vez, os rappers da nova escola mostraram não ter compromisso social, mostraram não estar interessados em informar, partilhar conhecimento (um dos elementos da cultura HIP HOP) e que o foco principal da nova escola é o entretenimento (sem conhecimento). Sou de opinião de que o beat não define o conteúdo. É POSSÍVEL um Emcee ter boas mensagens, ou preocupar-se com a comunidade dropando num beat de trap, logo o beat não define o compromisso social do artista. Por favor, rappers da nova escola, parem de usar o beat como desculpa, justificando a falta de compromisso social com a vossas músicas. 

De acordo com os acrônimos da cultura H.I.P H.O.P - Her Infinity Power Helping Opressed People (Seu poder infinito ajudando pessoas oprimidas), já é conhecido de que a cultura HIP HOP é uma cultura de Emancipação, e o "Rap" música da Cultura Hip Hop pode entreter, mas tem que ter compromisso social. E não se trata, de não aceitar a diversidade. Hip Hop é uma cultura, é partilhar o conhecimento, a compreensão, a justiça, a igualdade, a paz, a união, o amor, etc. E mesmo não falando de Hip Hop, existem princípios e valores. Hoje, há artistas que nas rimas ostentam o dinheiro que têm, com intenção de humilhar quem não tem o mesmo dinheiro. Enquanto, vivemos numa sociedade onde a falta de Amor ao próximo é o melhor amigo do Homem; onde a falta de Amor ao próximo é promovido pela TV, Jornal, Revistas, Músicas, etc... que depois acaba por influenciar na educação, porque a educação não é uma linha de produção, é um acontecimento orgânico, onde todos nós servimos de influência. É aqui onde o Emcee deve ter a preocupação de partilhar conteúdos que possa oferecer novas perspectivas a juventude. 

Por favor não usem o RAP como ferramenta para promoção dos vossos "bens materiais". Outro detalhe importante, os rappers/emcees não devem cantar para os rappers, os rappers/emcees devem cantar para a comunidade. Os rappers devem ser os médicos numa sociedade doente como a nossa e "não contribuir" para a doença que o nosso povo tem, alegando de que a música sem conteúdo é que bate/toca. 

Muitos chamam isto de Evolução. Mas, o Rap não está evoluído, mas alterado por um sistema que quer acabar com a cultura "HIP HOP" por ter a capacidade de mudar a mentalidade dos jovens, através da Arte ajudar a sociedade a progredir. 
O Rap está infestado por diversos elementos destrutivos que incorporam a misoginia, o sexismo, a violência, a moda capitalista, etc... como é possível chamarem de "Evolução"? Isso tem contribuído na degradação da Juventude, a título de exemplo o "Uami Ndongadas" disse "Sociedade atrasada". Acaba por ser contraproducente tal comentário. 

Sabendo que as premissas do Rap sempre estiveram assentes na necessidade de oferecer novas perspectivas a juventude, desde a consciência política, social e cultural. 
Atualmente "na sua maioria" os rappers/emcees da nova escola, não oferecem novas perspectivas a juventude. E eu não estou a ser Radical, a POBREZA é radical os meus textos não. 

Carylson Alberto 
20.01.2020

3 comentários:

  1. Concordo plenamente com o texto os MCs estão industrializados

    ResponderExcluir
  2. Real... Há um tempo atrás nao lembro quem disse mas foi um Rapper Brasileiro conhecido das antigas disse:O Rap brasileiro vai ficar igual ao Americano hahahahahahhahahaha e ficou mesmo uma Bosta;cheio de pouca idéia,lírica um lixo e mentalidade fútil

    ResponderExcluir
  3. Por algum tempo o Hip-Hop se furtou de debater e entender o capitalismo(que nos engoliu), nos afastamos das pautas do movimento negro, deixamos as práticas sociais por acharmos que não tinhamos o compromisso com o social e que era total responsabilidade do estado ou dos partidos políticos, não demos o real atenção ao debate sobre educação e outros temas realcionados e realidade dos jovens, nos perdemos! Mas existe o caminho de volta!!!! Mas quem quer saber disso, né?!

    ResponderExcluir