De dentro dos olhos das meninas mulheres brasileiras, podemos ver os estereótipos da força, da garra e da perseverança, como canta Milton Nascimento em Maria Maria; dentre poesias, esquinas e a rua, nasce o som Menina Mulher de Lu Afri, artista de trajetória longa, mas de constantes novidades e desafios, nessa track ela vem dando voz para as meninas mulheres que quebram as barreiras da pura força, e se envolvem nos movimentos das ruas, nem sempre tão poéticas, mas sempre inspiradoras. 

Com naturalidade e expansão, Lu Afri nos recorda a sonoridade mais clássica, e reafirma o que poucos ainda sabem, que é o quanto o Hip Hop permanece vivo, e alimentado muito mais do que só por MCs, aqui as mulheres são donas do mic e de seus destinos, são elas, mulheres meninas, que carregam as batidas com a força de sua levada e com a leveza de sua poesia, que ameniza as dores da vida aguerrida. 

A menina mulher rompe o silêncio imposto pela sociedade patriarcal, ela movimenta e cria laços, a menina mulher não para nunca, a menina mulher vive o Brasil, vive atravessando as estatísticas, e sobrevivendo enquanto dá vida pros outros, cumpre suas sinas, e aqui Lu Afri mostra que cumpre bem a sina do rimador, que é rimar com o coração e se entregar para o ritmo. Quando se é mulher, soltar a voz é um ato revolucionário, e rimar também, podemos dizer que Lu Afri é, portanto, daquelas super meninas mulheres, que rompem expectativas, mudam destinos e controlam sua própria rota, isso é muito mais do que força feminina, isso é ritmo e poesia.

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