sexta-feira, 1 de junho de 2018

#Referenciana - Confira as linhas da cypher Psicopretas!

O canal Narceja Produções disponibilizou essa pedrada no último dia 24 de março, e dois meses depois eu postei a análise que tinha feito, e guardei porque estava com a ideia do canal #ReferenciAna, mas não rolou. Num beat produzido por Razec quem chegou na rima foram Sistah Chilli, Danna Lisboa, Bia Doxum, Anarka, Dory de Oliveira e Cris SNJ.

Confira Psicopretas!

Um time feminino de peso, mandando a letra sem meias palavras. Está no ar mais um #ReferenciAna, o primeiro vídeo e nele você vai acompanhar um pouco da minhas percepções da cypher Psicopretas, além de conhecer um pouco mais sobre as referências utilizadas pelas minas.


A construção do vídeo é bem simbólica, começa com um discurso da Angela Davis sobre a violência, onde ela diz que é normal que se hajam explosões de violências, já que somos submetidos o tempo todo a isso. Esse trecho e parte do documentário The Black Power Mixtape, que sao basicamente relatos e arquivos do movimento negro americano, de 1967 a 1975 mais ou menos. E no fim a mesma Angela, cerca de 50 anos depois, falando ainda sobre luta e resistência.



A primeira a rimar e Sistah Chilli, e ela constrói toda sua parte na cypher citando principalmente guerreiras negras que tiveram suas histórias apagadas. 

E nem dobrada sua cartela passa pela minha guela,Nem sabe que na minha veia tem sangue de Teresa Benguela (...)


Rainha Tereza, como ficou conhecida em seu tempo, viveu na década de XVIII. Ela liderou o Quilombo de Quariterê. Segundo documentos da época, o lugar abrigava mais de 100 pessoas, com aproximadamente 79 negros e 30 índios. O quilombo resistiu da década de 1730 ao final do século. Tereza foi morta após ser capturada por soldados em 1770. 
Sua liderança se destacou com a criação de uma espécie de Parlamento e de um sistema de defesaEla é símbolo do 25 de Julho, Dia da Mulher Negra no Brasil, mas sua história foi totalmente apagada.

E que pra nós é muita treta, ver uma preta contra outra preta,
Destruindo nossa luta,
Um branco inventa e "ceis" aceita ?!
E "parda" é uma porra , respeita minha história!
Fiscal de melanina,
Nem vem que não faz glória.
Rainhas coroadas
De corpo e mente blindada
Exu guia minha estrada, por Dandara abençoada... 

Deixei o primeiro verso, porque é auto explicativo, diante dos episódios que aconteceram e vem acontecendo. Em seguida, ela menciona Exu, fazendo referência a religião de matriz africana. E termina o verso mencionando mais uma guerreira negra, com a história apagada, ou pelo menos parte dela tratada como lenda. 


Dandara, também companheira de Zumbi dos Palmares, com quem teve três filhos, foi uma das lideranças femininas negras que lutou contra o sistema escravocrata do século XVII. Não há registros do local do seu nascimento, tampouco da sua ascendência africana. Relatos nos levam a crer que nasceu no Brasil e estabeleceu-se no Quilombo dos Palmares ainda menina. Não era muito apta só aos serviços domésticos da comunidade, plantava como todos, trabalhava na produção da farinha de mandioca, aprendeu a caçar, mas, também aprendeu a lutar capoeira, empunhar armas e quando adulta liderar as falanges femininas do exército negro palmarino.
Quando os primeiros negros se rebelaram contra a escravidão no Brasil e formaram o Quilombo de Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas, Dandara estava com Ganga-Zumba. Participou de todos os ataques e defesas da resistência palmarina. Na condição de líder, Dandara chegou a questionar os termos do tratado de paz assinado por Ganga-Zumba e pelo governo português. Posicionando-se contra o tratado, opôs-se a Ganga-Zumba, ao lado de Zumbi.

E da sua língua amaldiçoada eu sigo forte e imune,Respeita minha trilha,Herdeira de Aqualtune 

Aqualtune é, segundo a tradição, a mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares. Ela seria uma princesa africana, filha de um rei do Congo ainda não identificado. Aqualtune liderou, em 1665, uma força de dez mil homens numa batalha na cidade localizada na atual Angola, entre o Reino do Congo e Portugal, e foi capturada com a derrota congolesa. Foi então aprisionada e trazida para o Recife no Brasil, vendida como escrava reprodutora. Ao ficar grávida, foi vendida para o engenho de Porto Calvo, onde tomou conhecimento do Quilombo dos Palmares. Posteriormente teria dado a luz a Sabina, que seria a mãe de Zumbi, o grande líder dos Palmares.

Me rotulam todo tempo !"HEY DE COR É VC ?!"Sai da cola do meu sangue e vai cobrar os W.P!

W.P é a sigla pela qual são conhecido os White Powergrupo de simpatizantes do neonazismo e da supremacia branca. Nesse momento Sista evidencia o fato de se muita gente, os chamados “fiscais” de melanina,  acabarem gastando mais energia nessa categorização vazia de ser negro ou não, e acabam por perder o foco principal, que é ser antirracista. 

A próxima a rimar é Danna Lisboa, e a parte dela é de denuncia num sentindo mais incisivo ao racismo e a branquitude.

Nesse mundo há quem só assista, Outros disseminam os planos dos fascistas, Sabe que a meta deles é criar mais um discurso pra você virar estatísticas,Na mira da polícia (...)

Quando ela menciona que nesse mundo há quem só assista, acredito que tenha dois sentidos, quem acaba não se posicionando em nada, sendo omisso em várias formas de violência, e o outro é quem de fato literalmente assiste, a tv e grandes mídias que ajudam a disseminar discursos de violência.

Além de quem só assiste, tem também quem dissemine o plano dos fascistas. O fascismo trata-se de um movimento antiliberal, que atua contra as liberdades individuais. O fascismo é diferenciado das ditaduras militares porque o seu poder está fundamentado em organizações de massas e tem uma autoridade única. Nas primeiras décadas do século XXI, é comum denominarmos fascismo ou fascista um indivíduo ou movimento que defende a repressão violenta para resolver problemas da sociedade.

No entanto, essa definição não tem relação com o que era o fascismo na Itália, na década de 20 e 30. Para eles, o a violência era um meio para alcançar o poder e não um fim. Então quando ela diz que parte dissemina os planos dos fascistas, antes de falar de quem só assiste, tá falando da divisão de pensamento e visão de mundo entre gente pobre mesmo, que acaba por disseminar discurso de ódio que vai de certa forma atingir a gente mesmo.



Se não há forma de tomarmos a política Então tornamos essas peles mistas Hereditária as maneiras de criarem vítimas Na mira da polícia

Se a gente olhar pra classe política, sabe muito bem a cara dos políticos que vem a mente, o arquétipo do homem, branco, heterossexual, defensor dos bons costumes, é a imagem associada. Diante desses anos de Brasil República, dificilmente citaremos pelo menos 3 políticos negros iconicos para cada ano. Entao embora seja um espaço de representação dessa sociedade brasileira, mais de 50% não branca, não é tao representativa assim, por isso é dificil de tomarmos esses espaços. Quando ela traz que torna-se as peles mistas, e que é hereditária a maneira de criar vítimas. Está falando pra mim, do processo de miscigenação que houve, esse processo violento de branqueamento na história, e hereditariedade, de passar de geração em geraçao o ódio, a mira da polícia sempre mirada nas pessoas não brancas.


A culpa não é de quem é preto ou de pele mais parda A branquitude que torna labuta bruta e falhaTá cego com ego então segue o rebanhoE não quem tá na batalhaFica botando fogo em palha criando novas muralhas Façamos novos quilombos não novelas de novas senzalas

As vezes, surgem tópicos de discussão, que a gente já tem um copiar e colar guardado pra argumentar, porque muitas vezes já estamos cansado de fazer a wikipreta ou o wikipreto pra explicar situações sistêmicas, históricas e afins, pra alguem chegar e responder com meme, ou com um ~tá, mas eu nao concordo~.

A branquitude é basicamente um lugar estrutural de onde o sujeito branco vê os outros, e a si mesmo, uma posição de poder, um lugar confortável do qual se pode atribuir ao outro aquilo que não se atribui a si mesmo”, Dana entao coloca esse desafio nessa situação de não reconhecer muitas vezes o grito explicito de denuncia, e parte de nós acaba por reproduzir discurso que não nos reconhece, e nem reconhece a violência que somos expostos.

Mazelas choros e velas Somos todos sequelas

Possivelmente se fizermos um exercício de pensar quantos amigos, parentes, vizinhos a gente já perdeu de alguma forma violenta, lembramos de parte ou toda a nossa construção como pessoa. É “comum” nossas perdas, e ela já coloca na sequencia que infelizmente o pensamento de Mandela não faz sentido, ou pelo menos é difícil de se pensar.

Não pensamos Não sonhamos Como Nelson MandelaSonhou um dia em que todos se levantarão e compreenderão que somos feito pra vivermos como irmãos será que a luta foi em vão. 

Nelson Mandela foi um líder e, foi um dos representantes do movimento anti-apartheid, considerado pelo povo um guerreiro. Se um discurso dele naquela época, hoje ainda é um sonho longe, será que avançamos na luta anti-racista?

A terceira a rimar é Bia Doxum.


Quem me viu naquela estrada?Me diz, quem me viu naquela encruzilhada?Quando não era moda ser preta de quebrada

Oxum é um orixá feminino das águas doces, dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza, cultuada no candomblé e umbanda. A encruzilhada, remete também as religiões de matriz africana, que é o espaço aonde são feitas as oferendas, despachos e enfim. Quando ela coloca que não era moda ser preta de quebrada, acho que além da referência ao som da Flora, seguindo os versos, ela coloca o oportunismo na questão da religião mesmo, entre outras coisas que acabaram sendo romantizadas no discurso.



Quer julgar minha história, não sabe minha caminhada Na mira da espingarda de algum escravocrata Sei que não fui aceita, fui tolerada


Escravocratas eram as pessoas que eram a favor a escravidão, essa analogia feita com a mira da espingarda de um escravocrata, remete a hoje em dia, as pessoas dizem gostar, que dizem respeitar mas nunca abrem mão de seus privilégios. 

Me camuflava nos teus espaços Alisando o cacho Fiz mó embaraço


Nos próximos versos, Bia traz questões que nos fazem refletir sobre o pertencimento dos espaços. Adianta estar num espaço, mas estar dentro de um padrão colocado por eles?



Na angústia do passo Que não encontrava par no salãoTem dia que ainda tô sozinha naquele salãoMas não tem dia que me falte o pé no chãoPra me fazer solitude nessa solidão

Acredito que nesse verso, ela traz a questão da solidão da mulher negra, que é muito mais do que a questão afetiva, mas perpassa o genocídio, encarceramento, padrões de beleza entre outras coisas.


Nesse chão me firmei, deixei a gira girarQuando o cabelo eu armeiVi branquin com as mão pro ar

Mais uma vez, ela remete a religião, como maneira de dizer que se reconheceu e se afirmou. E retomando o sentido de ser moda ser preta, quando ela assume os cabelos crespos, muita gente aplaude, mas são as mesmas mãos que por muito tempo forçaram alisamentos, chapinhas e outras formas de violência estética.


Tem quem quer dividir mas vim multiplicar Todo ouro pra mulher preta Tem quem quer dividir mas vim multiplicarTodo ouro pra noisTodo ouro pra nois

Além de contrapor os versos que antecedem, falando da solidão, colocando a figura do ouro, pra representar tudo de melhor, de mais “rico”, pra mulher preta, ela coloca o ouro, que representa também a orixá Oxum.

A próxima a rimar é Anarka, integrante do Projeto Preto, ela têm se destacado nas cyphers que participa. E começa a sua parte falando sobre sua versatilidade mesmo.

Projeto Preto
Me refaço a cada passo, desfaço nó e crio laço Ao embaraço do meu black, mic in check, faço as track No boombap ou trap, é o rap independente do CEP! Nois se fortalece e pé de breck não se cresce

No verso seguinte, Anarka critica a questão das minas pretas serem lembradas apenas na época de globeleza, e em seguida traz pra si a questão de poder fazer o que quiser. Pra quem não se ligou, 155 é tomar os boy.
Que as mina preta é mó treta, acima de festa de carnaval Eu nem manjo sambar, é só rodo nos puto e 155 nos boy Com a Donato nos bate, não fujo do embate, moscou é cheque mate 
Que daora, referenciando a Sarinha, Sara Donato, que só quem já trombou nos bate cabeça sabe o que a Anarka tá falando hahahha

Observa o contraste, diversidade de tom. Não tá bom? Foda-se, não pedi sua opinião!

Mais uma vez criticando a questão do colorismo, que apareceu em várias falas, e na sequência Anarka traz elementos das religioes de matriz africana:

Axé pras mana e pros irmão Minha cultura não cabe na sua compreensão, em mim se tocar perde a mão Projeto Preto em ação, além da expressão, é auto-afirmação de vida a cada batida O beat é atabaque, traz o conhaque, salve ao santo! As quizila eu espanto

Quizila é um ato ou alimento, que afasta o axé do orixá, portanto é pedido para os filhos que evitem. Nesse caso, não sei se ela quis usar o sentido literal ou associando as quizilas a gente mal intencionada e que causariam desequilíbrio emocional.

Minhas prece vem em canto. Caio, levanto, me adianto! Respeite, portanto!Pra cada referência morta, nasce um gueto incendirário, subvertendo estereótipo


Sem querer, ou talvez querendo, não sei, além de dizer que a cada figura que morre, nasce no gueto um incendiário, Anarka referencia o rapper Gato Preto, vocalista do grupo a família. Ele foi baleado nas ruas de são paulo, e enquanto vivo, fez várias parcerias, entre elas com GOG, o que estreitou as relações dele com o rapper. Ele era chamado de incendiário por seu espírito combativo, Lutava pelo movimento negro com inserção social e mostrando a cara. Em sua trajetória, participou de oficinas educativas em FEBEMs, escolas e shows comunitários e organizou ações para a arrecadação de livros e alimentos para a comunidade do Jd. Colombo. Tem um som do GOG com esse nome, que fala, O incendiário, o incendiário: Eu sou o cobrador, o terror, em forma de gente!

E ela termina sua parte, falando sobre a relação ancestral, de cuidado e guia nos caminhos.


Cê tenta apagar, mas nossa história tá no sangue Os ancestral ilumina e faz com que os caminho deslanche

A próxima é a Dory de Oliveira, se todas foram pesadas até aqui, a Dory não preciso nem dizer. Desde que ouvi ela rimando na Coragem e Ousadia, que foi o primeiro som que eu ouvi dela, eu fiquei boquiaberta hahaha, mas entao, os versos dela vem num sentido de socão na boca, simplesmente.


Disse que não curte Rap de minaE que nenhuma prestaVou me trancar no quartoRasgar minhas rimasÉ o que me resta
OLHA O DEBOCHEEEE, de quem tá ligando pra opinião de machista.
Tá cheio de bandidão Nelson Rubens da Internet

HAHAHAAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHAAHAHAHA 


Nelson Rubens pra quem não sabe, é um jornalista que se intitula fofoqueiro, e Dory faz uma menção aos buxixo por inbox (salve Attica!) do Rap, a muita picuinha e falação na internet e falta de vivência na rua. Na sequência ela passa a visão sobre a própria caminhada dela e como quem chega agora devia chegar no sapatinho, e não se emocionar chegando sem disciplina nenhuma.

Sua mãe trocando suas fralda Eu na rua fazendo Rap Xiu, baixa a guarda moleque Respeita quem abriu os caminhos Fez história Eu já rimei com os mais foda Da leste e agora Tá tendo até fã de fascista nessa porra Se nóis não fizer a limpezaVira purgueiro uma zorra

Não têm nem o que falar, quando a gente olha pra uma cultura, um movimento como o Hip Hop, que é fundamentado na resistência e de certa forma até o diálogo com os nossos, a formação, quando você olha pra Zulu Nation, e de repente aparece um monte de gente que bate no peito e defende político que bosteja no discurso. Não é questão de partido político, é defender idéias de opressão e violência, que não fazem sentido dentro da cultura.

Nunca passou venenoNa madrugada serenoRevolucionária de tripléxÉ a nova moda vai venoHoje em dia é fácil dizerQue esse som é a sua raizTá chovendo Sinhá fazendo RapNem sabe o que diz ( é foda )


Olha, nem preciso dizer muito. Esse ano mal começou e várias máscaras caíram. Desde quem deu carteirada dizendo que era tal coisa e acabou se demonstrando racista, até quem acredita que as questões que a escravidão deixou de sequelas tenham sido pagas. Quando ela fala sinhá, a gente pode remeter denovo a fala da Bia, sobre estar sendo tolerada não respeitada. Sinhás, eram as mulheres brancas, escravocratas. E hoje em dia, é utilizado pra se referir a mulheres brancas, que não reconhecem seus privilégios e acabam por reproduzir racismo as claras.


Agora é dois punch na sequência, referenciando ao som da Flora Mattos (Preta de Quebrada), e da querida Lívia Cruz (Quem tava lá?) que participou do episódio acima no começo desse ano rs.


Vim da legião das preta raizNão aquelas que só é quando condizTá facin falá que tava láMais nunca fui de trombaNas ruas de terra, nos palco de madeiraRespeita o terreiro a herança inteira


E aí, ela levanta o nome de várias minas pretas que infelizmente morreram vítimas da violencia do Estado nas periferias. 




Preta de quebrada é Maria Eduarda que era uma menina do Rio de Janeiro, de 13 anos, 13 anos!!!, que foi morta em 2017 dentro da escola por uma bala direcionada, porque não existe bala perdida em periferia, na mesma região do Costa Barros, onde também a violência policial matou 5 jovens com 111 tiros em 2015. Mães desses jovens, também mulheres negras, morreram posteriormente por não aguentarem a dor da perda e do julgamento dos responsáveis. 




É Cláudia arrastadaCláudia Silva Ferreira, também morta por um disparo direcionado, em 2014, teve o corpo arrastado por mais de 300 metros por um carro da Polícia Militar em Madureira.


Luana que teve sua vida arrancada por nada. Luana Barbosa dos Reis, foi uma mulher também morta pela violência policial, que foi abordada no bairro dela, em Ribeirão preto, pela PM, e ela pediu pra que fosse revistada por uma policial feminina, e foi agredida pelos PMs, depois de uns dias internada ela morreu em decorrência dos ferimentos.


É o levante de quem cansou de ser tiradaMinhas palavras são cortes de espada afiadaVoltei, tipo refazenda refazendo tudo

Refazenda, é um album do Gilberto Gil, de 1975, ele faz parte da triologia Re, que conta com Refazenda, Refavela e Refestança. E nesse álbum, a faixa que tem título Refazenda, apesar de ser cheia de figuras e analogias, tem críticas, inclusive a ditadura, por exemplo. Quando Dory diz que voltou tipo refazenda, imagino que ela tenha dito que voltou, denunciando o que fosse, expondo quem precisasse.

A última a rimar é a Cris SNJ, que dispensa comentários. Ela firma seus versos exaltando as “pretas raiz” que a Dory citou.

Descem escadas depois sobem ladeiras,Cruzam fronteiras entre bairros ignoram trincheiras,Sobrevivência acham várias maneiras,sinal da cruz e atravessam estrada de várias maneiras


Aqui, ela parece descrever a rotina de várias mulheres negras, que deixam suas casas na periferia, cruzam as cidades e voltam pra casa ao fim do dia. 


Maloqueira enfrentam diversas barreiras a cor da pele influi com isso ouve besteiras do tipo neguinha, fedida, vulgo barraqueira mas é o barraco que defende aqui a nossa bandeira cultural, social, ancestral, musical, na luta em que as pretas fazem sua carreira


Quando ela fala mas é o barraco aqui, eu entendo como sendo a voz da mulher negra, que se levanta, que se coloca, que defende de fato, o cultural, social, ancestral, musical, que muitas vezes precisa ter a força fora do comum pra poder enfrentar o dia a dia.

Descem a madeira pra viver no estado racional. Não queremos gorjeta vamos alto de datas damos nó em pingo d'água, Não vai mamar na teta.Somos a treta.Homens psicopatas ficam em choque quando tromba uma psicopreta.

Quando assume pra si o psicopreta, ela na verdade se usa da força do termo psicopata pra dizer que até essas pessoas (temidas) ficam em choque pra bater de frente.



Ufa!! É isso, espero que tenham chego até aqui. Lembrando mais uma vez que essas são piras pessoais minhas, e que pode não ter uma vírgula a ver com o que o autor quis dizer.

Qualquer duvida ou mal entendido me chamem que a gente troca uma idéia.

Deixem sugestões para os próximos #ReferenciAna, até mais!